
A publicidade sempre encontrou no futebol um terreno fértil para falar de paixão. Mas, em um momento em que as campanhas ligadas ao Mundial buscam ir além da celebração das vitórias, a Vivo escolheu um caminho diferente: colocar o sonho do torcedor no centro da narrativa. Na versão estendida do filme “Contrato”, protagonizado por Vini Jr., a marca deixa o placar em segundo plano para apostar em um elemento que continua mobilizando milhões de brasileiros: a crença de que o impossível pode acontecer.
A estratégia dá continuidade ao conceito “Brasileiro Roxo”, plataforma criada pela Vivo para representar quem vive intensamente a torcida pela Seleção Brasileira. Em vez de construir uma narrativa baseada apenas no desempenho dentro de campo, a campanha desenvolvida pela Africa Creative concentra sua atenção na relação entre um ídolo e uma criança que faz de tudo para levar o atacante ao time da rua.
Um contrato de papel e um campinho de terra
A história é simples. Um menino entrega a Vini Jr. um contrato para reforçar sua equipe. O que parece apenas uma fantasia infantil ganha força quando o jogador aparece no campinho de terra, pronto para entrar em campo. A cena transforma um desejo improvável em realidade e reforça um recurso cada vez mais presente na comunicação esportiva: aproximar grandes atletas do cotidiano das pessoas.
Esse movimento não acontece por acaso. Durante muito tempo, campanhas de Copa do Mundo venderam heroísmo, títulos e conquistas. Agora, boa parte das marcas prefere investir em histórias que humanizam seus protagonistas. O atleta continua sendo um símbolo de excelência, mas também passa a representar acessibilidade, origem e identificação.
Vini Jr. como símbolo de origem — não de distância
No caso da Vivo, Vini Jr. ocupa exatamente esse espaço. Um dos principais nomes do futebol mundial, o atacante aparece distante da figura inalcançável do astro internacional. No filme, ele preserva a conexão com suas origens e aceita, naturalmente, o convite para jogar em um campo de terra — cenário que remete ao início da trajetória de muitos jogadores brasileiros.
Segundo Sabrina Romero, diretora de Marca e Comunicação da Vivo, a campanha procura justamente destacar essa relação entre ídolo e torcida.
“Sangrando”, de Gonzaguinha, como trilha da campanha
A escolha da trilha sonora amplia esse apelo emocional. A versão estendida utiliza uma releitura de “Sangrando”, de Gonzaguinha, reforçando a atmosfera afetiva da campanha e conduzindo a narrativa para um território em que música e futebol dividem o protagonismo.
Também chama atenção o momento em que o filme chega ao público. Com a Seleção classificada para a fase seguinte do Mundial, a Vivo aproveita um ambiente naturalmente favorável à conversa sobre futebol para aprofundar uma campanha que é construída desde o início da competição. Em vez de lançar uma nova mensagem, a marca expande uma história já conhecida — estratégia que permite aumentar o tempo de contato do consumidor com a narrativa sem perder coerência.
Para Heloisa Pupim, co-COO da Africa Creative, o filme busca resgatar justamente essa dimensão emocional do esporte. “A campanha resgata a paixão que move o torcedor e a capacidade do futebol de romper barreiras”, resume.
O diferencial está na história — não na oferta
O movimento revela uma tendência importante do marketing esportivo. Em um cenário de excesso de mensagens durante grandes competições, as marcas percebem que disputar atenção apenas com ofertas, promoções ou referências aos resultados dos jogos já não basta. O diferencial passa a estar na construção de histórias que consigam permanecer na memória depois do apito final.
Ao colocar um contrato imaginário nas mãos de uma criança, a Vivo mostra que, na publicidade, o maior ativo do futebol talvez nunca tenha sido a vitória. Sempre foi a capacidade de fazer milhões de pessoas acreditarem que, por alguns instantes, qualquer sonho pode entrar em campo.
