
A risada humana pode ser muito mais antiga do que se imaginava. Um estudo publicado na revista científica Communications Biology identificou que seres humanos, chimpanzés, bonobos, gorilas e orangotangos compartilham um mesmo padrão rítmico ao rir, indicando que essa característica já existia em um ancestral comum que viveu há pelo menos 15 milhões de anos.
Para chegar à conclusão, pesquisadores da Universidade de Warwick, no Reino Unido, analisaram 140 registros de risadas produzidas por 17 indivíduos, entre crianças e grandes primatas. Grande parte das gravações foi obtida durante brincadeiras ou por meio de cócegas, estratégia considerada uma das formas mais eficazes de provocar esse tipo de vocalização em diferentes espécies.
A equipe observou que todas as espécies emitem sequências sonoras em intervalos regulares, formando um ritmo semelhante ao tradicional “ha, ha, ha”. Essa estrutura permaneceu conservada ao longo de milhões de anos, mesmo após a separação evolutiva entre humanos e os demais grandes primatas.
Embora compartilhem essa base comum, os cientistas identificaram diferenças importantes. Nos seres humanos, a risada é mais rápida, variável e adaptável ao contexto. Uma pessoa pode rir de maneira diferente ao ouvir uma piada, sentir cócegas, demonstrar simpatia ou até mesmo por educação, algo que não foi observado com a mesma flexibilidade nos demais primatas.
Segundo os autores, essa capacidade de controlar a vocalização pode ter representado um passo importante para o surgimento da fala. Como a linguagem não deixa registros fósseis, compreender a evolução de comportamentos compartilhados entre espécies vivas oferece pistas sobre como nossos ancestrais desenvolveram sistemas cada vez mais sofisticados de comunicação.
Os pesquisadores destacam que o riso funciona como uma espécie de “janela evolutiva”. Ao comparar espécies aparentadas, é possível reconstruir parte da história do desenvolvimento vocal humano e entender como habilidades ligadas à comunicação foram sendo aperfeiçoadas ao longo de milhões de anos.
Apesar dos resultados promissores, a equipe ressalta que o estudo analisou um número reduzido de indivíduos. Novas pesquisas com amostras maiores serão necessárias para confirmar as conclusões e aprofundar o entendimento sobre a relação entre a evolução da risada e o surgimento da linguagem humana.
