
A negociação comercial entre Brasil e Estados Unidos (EUA) sobre tarifas de exportação de produtos ganha mais um capítulo. O senador Flávio Bolsonaro (PL) desembarca neste domingo (5), em território americano para participar de uma sequência de audiências públicas sob o chamado “tarifaço”. As sanções de Washington ao país tropical estão previstas para serem aplicadas a partir de 15 de julho.
O candidato do Partido Liberal (PL) à presidência da República acontece de forma paralela às negociações oficiais do Palácio do Planalto. O Brasil está sob ameaça de que em 10 dias sofra taxação extra de 25% dos EUA a diversos produtos brasileiros, exceto insumos que lhes são essenciais.
A problemática que gera impasse entre os dois países está ancorada na chamada Seção 301, pertecente a lei comercial dos Estados Unidos. Baseada nela, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) abriu uma ampla investigação em 2025 para avaliação se as regras e incentivos do Brasil são prejudiciais ao mercado norte-americano.
As autoridades americanas abordaram no relatório final das investigações temas como proteção ambiental ante desmatamento ilegal, combate à corrupção, mercado de etanol brasileiro e ainda, o funcionamento do ecossistema de pagamentos instantâneos – o Pix – juntamente com as regras de comércio digital adotadas. Esses assuntos foram classificados de modo geral como ofensivos ao EUA.

Senador nos EUA
Segundo agenda do senador, ele participará de uma audiência na próxima terça-feira (7) e fará uma manifestação oficial já no encerramento dos debates nos EUA. O oportunidade dá abertura a contestações e informações extras. Na última quarta (1º), o parlamentar encaminhou documento técnico com 86 páginas para a USTR em defesa do Pix e pedindo adiamento das sanções para após as eleições do Brasil.
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O senador sugere ainda que os EUA crie um canal de diálogo exclusivo com o Brasil. Flávio Bolsonaro argumentou também que a taxação imediata iria encarecer os produtos para os consumidores brasileiros e como consequência, criaria um desgaste político, visto que a medida do governo de Donald Trump poderia fortalecer o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), concorrente das eleições 2026, em pleno período eleitoral.

Negociação institucional do Planalto
Do lado institucional, o governo federal atua por canais estritamente oficiais. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) descarta que não há possibilidade de alterar o funcionamento do Pix e classificou o sistema como inegociável.

Tem em vista que o ministro do MDIC Márcio Elias Rosa tenha ao menos mais duas reuniões com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, até 15 de julho, sobre assuntos comerciais levantados pelas investigações do USTR.
A balança comercial brasileira também tem esforço concentrado do setor privado. O ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, estará representando as entidades da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), nas audiências em território americano.
