
Durante muito tempo, os relógios tradicionais pareciam caminhar para um papel secundário diante da popularização dos smartwatches. Mas, enquanto a tecnologia assumia o protagonismo da categoria, outro movimento crescia silenciosamente: a valorização dos acessórios como expressão de identidade. É nesse cenário que a Mormaii aposta na nostalgia para fortalecer sua presença no mercado, lançando uma nova coleção inspirada nas décadas de 1980, 1990 e no início dos anos 2000.
A estratégia não surge por acaso. Depois de registrar faturamento de R$ 27,4 milhões com relógios tradicionais em 2025, a marca projeta crescimento de 12% nas vendas da categoria em 2026. Mais do que acompanhar uma tendência estética, o lançamento da linha Vintage revela como memória afetiva e autenticidade passaram a ocupar espaço central nas decisões de consumo.
O retrô deixou de ser moda passageira
Nos últimos anos, referências visuais dos anos 1980 e 1990 voltaram com força para diferentes segmentos — da moda à decoração, passando por tecnologia, entretenimento e design de produtos.
No caso da Mormaii, o movimento ganha um significado adicional. A marca nasceu justamente nesse período e construiu sua identidade associada ao surf, ao esporte e ao estilo de vida ao ar livre. Em vez de buscar inspiração em um universo distante, ela revisita elementos que fazem parte da própria trajetória.
Os novos modelos femininos trazem mostradores coloridos, versões com visor espelhado, acabamentos dourado e prata, além de caixa metálica de 35 milímetros, pulseira de aço inoxidável e resistência à água de até 50 metros — características que preservam a estética clássica mas incorporam funcionalidades esperadas pelo consumidor contemporâneo.
Nostalgia como estratégia de negócios
O crescimento da estética vintage vai além da aparência dos produtos. Cada vez mais, as marcas percebem que revisitar o passado pode fortalecer vínculos emocionais com consumidores que viveram determinada época e, ao mesmo tempo, despertar curiosidade em gerações que conhecem esses códigos apenas pela cultura digital.
Essa lógica ajuda a explicar por que tantas empresas tem resgatado logotipos antigos, embalagens clássicas e produtos icônicos. O objetivo não é apenas despertar lembranças, mas oferecer objetos carregados de significado em um mercado cada vez mais competitivo.
Segundo Laura Goretti, diretora de marketing do Grupo Technos — parceiro responsável pelos relógios da Mormaii no Brasil —, essa valorização da memória acompanha uma mudança mais ampla no comportamento de consumo. “A linha Vintage traduz uma tendência que observamos em diferentes segmentos: o desejo por produtos que carregam história, autenticidade e conexão emocional”, afirma.
44% da Geração Z prioriza autenticidade
Curiosamente, a força do retrô não está restrita aos consumidores que viveram os anos 1980 ou 1990. A Geração Z demonstra interesse crescente por produtos que transmitam autenticidade e identidade.
Um estudo da consultoria SKIM mostra que 44% dos integrantes dessa geração consideram transparência e autenticidade fatores prioritários na relação com as marcas. Nesse contexto, o design vintage deixa de representar apenas nostalgia e passa a simbolizar originalidade, exclusividade e estilo pessoal.
É uma mudança importante para empresas que, durante anos, concentraram seus esforços em desenvolver produtos cada vez mais tecnológicos. Hoje, inovação também significa reinterpretar referências do passado de maneira relevante para o presente.
Relógio tradicional não compete com smartwatch
Enquanto os smartwatches seguem dominando o universo da conectividade, os relógios tradicionais reforçam outro papel: o de acessório de moda.
A decisão de compra passa menos pela quantidade de funções disponíveis e mais pelo design, pela identidade da marca e pelo significado que o produto transmite. O relógio deixa de competir diretamente com dispositivos inteligentes e passa a ocupar um território diferente — no qual estética e expressão pessoal falam mais alto.
Ao investir na linha Vintage, a Mormaii demonstra compreender esse novo posicionamento. Em vez de disputar espaço com a tecnologia, a marca aposta em um ativo que poucas empresas conseguem reproduzir com legitimidade: sua própria história.
A coleção reforça uma das principais tendências do consumo contemporâneo. Em um mercado marcado pela velocidade das novidades, olhar para o passado deixou de ser sinal de saudosismo. Tornou-se uma forma de construir relevância, fortalecer identidade e criar conexões emocionais que sobrevivem muito além das tendências passageiras.
