
A pequena cidade de Longyearbyen, localizada no arquipélago de Svalbard, no extremo norte da Noruega, ganhou fama mundial por uma curiosidade inusitada: o local é frequentemente descrito como a cidade onde “é proibido morrer”. Apesar da fama, a afirmação não é literal. O que existe, na prática, é a proibição de realizar novos sepultamentos, consequência das condições extremas do solo congelado da região.
O principal motivo é o permafrost, camada de solo que permanece congelada durante todo o ano. Nessas condições, os corpos enterrados praticamente não se decompõem, permanecendo preservados por décadas. Isso dificulta o funcionamento do cemitério local e pode manter microrganismos ativos por muito mais tempo do que em outras partes do mundo.
A decisão de interromper os enterros foi tomada na década de 1950, após pesquisadores perceberem que pessoas enterradas durante a pandemia de gripe espanhola, em 1918, continuavam preservadas pelo frio intenso. Décadas depois, estudos identificaram vestígios do vírus nas vítimas, reforçando a preocupação com a conservação de agentes infecciosos no solo congelado.
E quando morre alguém?
Desde então, moradores que desenvolvem doenças graves ou entram em estado terminal costumam ser transferidos para o continente norueguês, onde recebem tratamento médico e, se necessário, são sepultados. A cidade também não possui estrutura para cuidados paliativos de longa duração, o que torna essa transferência uma medida de rotina.
A peculiaridade acabou alimentando a ideia de que morrer seria ilegal em Longyearbyen. O mito ganhou força após uma reportagem publicada pela BBC em 2008, que descreveu o município como “a cidade onde é proibido morrer”. Na realidade, não existe qualquer lei que impeça uma pessoa de morrer no local; o que há são restrições relacionadas aos sepultamentos e aos serviços de saúde disponíveis.
As particularidades da cidade não param por aí. Como o assentamento fica em uma região habitada por ursos-polares, quem deixa a área urbana é orientado a portar equipamentos de proteção, e mulheres grávidas costumam viajar para o continente algumas semanas antes do parto, já que Longyearbyen também não conta com maternidade.
Com cerca de 2,5 mil habitantes, Longyearbyen é uma das cidades permanentemente habitadas mais ao norte do planeta. O turismo, a pesquisa científica e a observação do Ártico tornaram-se as principais atividades econômicas da região, que continua chamando atenção não apenas pelas paisagens geladas, mas também pelas regras incomuns impostas pelas condições extremas da natureza.
O que é o permafrost
O permafrost, camada de solo que permanece congelada durante todo o ano em regiões como Alasca, Canadá, Sibéria e Ártico, tornou-se uma das maiores preocupações de cientistas diante do avanço das mudanças climáticas. Embora pouco conhecido, seu derretimento pode acelerar o aquecimento global e gerar impactos em todo o planeta.

Isso porque esse solo armazenou enormes quantidades de carbono ao longo de milhares de anos. Com o aumento das temperaturas, o degelo pode liberar grandes volumes de gases de efeito estufa, como dióxido de carbono (CO₂) e metano, intensificando ainda mais as mudanças climáticas e seus efeitos sobre o clima, os ecossistemas e a população mundial
