
Senador Lindsey Graham fala com a imprensa em Kiev, capital da Ucrânia, em 10 de julho de 2026
REUTERS/Valentyn Ogirenko
O senador norte-americano Lindsey Graham, membro do Partido Republicano, morreu na noite deste sábado (11) em decorrência de uma dissecação da aorta provocada por uma doença cardiovascular arteriosclerótica. O senador da Carolina do Sul tinha 71 anos.
A informação consta nos resultados da autópsia divulgados por seu gabinete neste domingo (12). A condição médica se caracteriza por um rasgo ou vazamento na principal artéria que leva o sangue do coração para o restante do corpo.
O laudo foi emitido pelo Instituto Médico Legal do Distrito de Colúmbia (Washington, D.C.). De acordo com o comunicado oficial, o certificado de óbito definitivo ainda está pendente e será atualizado assim que os testes toxicológicos e exames microscópicos forem concluídos, o que determinará formalmente a classificação final da causa da morte.
Últimos passos e repercussão
Inicialmente, o gabinete de Graham havia informado apenas que a morte, no sábado (11), ocorreu após uma “breve e repentina doença”. Os detalhes da falha cardíaca só vieram a público neste domingo, com o laudo do IML.
O presidente Donald Trump, de quem Graham era um dos aliados mais próximos no Capitólio, lamentou a perda em entrevista ao programa “Meet the Press”, da emissora NBC. Trump revelou que conversou com o senador por telefone no sábado à noite, logo após o parlamentar retornar de uma viagem oficial a Kiev, na Ucrânia.
“Ele parecia um pouco cansado, mas perfeito”, disse Trump, que descreveu o senador como “um membro da família”. O presidente americano ordenou que as bandeiras em todo o país fossem hasteadas a meio-mastro em sinal de luto até o próximo sábado.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Graham estava em seu quinto mandato e planejava concorrer à reeleição em novembro deste ano. Ele ocupava a presidência do Comitê de Orçamento do Senado e era uma das vozes mais influentes da política externa dos Estados Unidos.
Em 2021, Graham ganhou repercussão no Brasil ao afirmar, sem apresentar provas, que milhares de brasileiros cruzavam ilegalmente a fronteira dos Estados Unidos usando roupas de grife e bolsas da marca Gucci.
Graham foi eleito para o Senado dos Estados Unidos em 2002. O site do senador afirma que ele “defendeu de forma consistente resultados na Guerra ao Terror que protegessem os interesses de segurança nacional de longo prazo” dos Estados Unidos.
Os republicanos têm, atualmente, uma maioria apertada de 53 a 47 cadeiras no Senado. Pela lei da Carolina do Sul, o governador Henry McMaster, também republicano, deverá nomear um substituto temporário para Graham, que permanecerá no cargo até janeiro.
McMaster afirmou, em nota, que Graham é “insubstituível”. “O mais feroz dos defensores da Carolina do Sul e da América — e um amigo leal e firme”, disse McMaster.
O senador não era casado e não tinha filhos. Sua parente viva mais próxima é a irmã Darline Graham Nordone, que ele ajudou a criar depois que os dois perderam os pais.
Política externa e relação com Trump
Graham defendeu durante anos uma política externa favorável ao uso da força militar pelos Estados Unidos e ao fortalecimento da defesa nacional.
Na semana passada, ele fez parte de uma delegação que esteve em Kiev, capital da Ucrânia, e havia anunciado um acordo para avançar em um pacote de maiores sanções dos EUA à Rússia.
O senador estava escalado para participar, na manhã deste domingo (12), do programa de entrevistas “Meet the Press”, da NBC.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou estar “profundamente entristecido” com a morte de Graham, e o descreveu como um “verdadeiro defensor da liberdade e dos valores que tornam o nosso mundo mais seguro.”
A relação entre Graham e Trump começou de forma conturbada. O senador chegou a afirmar que o então empresário era “inapto para o cargo” e usou um palavrão para se referir a Trump depois que ele fez comentários depreciativos sobre o ex-senador John McCain, melhor amigo de Graham no Senado e veterano da Guerra do Vietnã.
McCain, Graham e o ex-senador Joe Lieberman, independente por Connecticut, eram conhecidos como os “Três Amigos” e viajavam com frequência pelo mundo para defender uma política externa mais intervencionista dos Estados Unidos.
Mas Graham mudou significativamente de posição depois que Trump venceu a eleição presidencial. O senador tornou-se um dos principais aliados do presidente, passou a falar com ele com frequência e se tornou presença constante em partidas de golfe ao seu lado, enquanto McCain permaneceu como um crítico de Trump.
Em uma entrevista à Associated Press, em 2018, Graham explicou sua mudança de postura dizendo que McCain lhe ensinou que o país precisa seguir em frente após as eleições e que isso significava haver “a obrigação” de ajudar o presidente. McCain concorreu duas vezes à Presidência dos Estados Unidos.
Graham chegou a romper com Trump após a invasão do Capitólio por apoiadores do então presidente, em 6 de janeiro de 2021. Na ocasião, declarou: “Estou fora. Já chega.”
Pouco tempo depois, porém, voltou a se aproximar de Trump e permaneceu como um de seus aliados durante o segundo mandato do presidente.
Recentemente, Graham presidiu a Comissão de Orçamento do Senado. Também integrou a Comissão de Apropriações, a Comissão Judiciária e a Comissão de Meio Ambiente e Obras Públicas do Senado.
Presidente Donald Trump e o senador Lindsey Graham em evento da campanha presidencial, em 2023
Shannon Stapleton/Reuters
Carreira política
Lindsey Graham construiu uma carreira de mais de três décadas na política norte-americana. Ele iniciou sua trajetória eleitoral em 1992, quando foi eleito deputado estadual após atuar como advogado na Justiça Militar e na Justiça comum.
Nascido em uma família de classe média baixa na cidade de Central, na Carolina do Sul, Graham cresceu ajudando os pais, donos de um bar ao lado da casa da família. Formou-se em Direito antes de ingressar na vida pública.
Sua projeção nacional começou em 1999, quando integrou a comissão da Câmara dos Representantes que aprovou o processo de impeachment do então presidente Bill Clinton.
Em 2016, Graham tentou disputar a indicação do Partido Republicano à Presidência, mas acabou derrotado nas prévias vencidas por Donald Trump. Após a vitória de Trump, Graham mudou de posição e se aproximou do presidente.
A mudança de aliança foi acompanhada por uma alteração em seu discurso político. Se antes era visto como mais moderado em temas como imigração, passou a adotar posições mais duras, alinhadas às de Trump.
Em alguns momentos, porém, enfrentou resistência dentro do próprio partido ao se afastar das alas mais conservadoras, como quando votou a favor de uma juíza indicada pelo então presidente Barack Obama para a Suprema Corte.
Após a derrota de Trump para Joe Biden, em 2020, Graham participou das tentativas de contestar o resultado da eleição. Ele chegou a telefonar ao responsável pela certificação dos votos no estado da Geórgia para questionar se seria possível contestar judicialmente votos enviados pelo correio.
A breve nota divulgada pelo gabinete de Graham, que não explicou a causa da morte, ocorre em um momento de preocupação com a falta de transparência sobre a saúde de parlamentares nos Estados Unidos.
O deputado Tom Kean Jr., republicano de Nova Jersey, ficou meses afastado sem explicação antes de retornar ao Congresso e revelar que havia sido diagnosticado com depressão. Já o senador Mitch McConnell, republicano do Kentucky, foi hospitalizado semanas atrás por motivos de saúde não divulgados.
Repercussão
O líder da maioria no Senado dos Estados Unidos, John Thune, republicano da Dakota do Sul, afirmou que “meu coração está pesado nesta manhã ao saber da morte do meu amigo e colega, o senador Lindsey Graham”.
“Lindsey dedicou muitos anos de sua vida à Força Aérea e ao Congresso, o que o levou às mais diversas regiões do mundo”, afirmou Thune. “Ele foi um defensor firme dos Estados Unidos e um forte aliado de países que valorizam a liberdade em todo o mundo. Acreditava no poder dos Estados Unidos para promover o bem e dedicou sua vida a essa causa.”
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também lamentou a morte de Graham e o descreveu como “um grande amigo de Israel” e um “querido amigo meu”.
Segundo Netanyahu, Graham entendia que a segurança de Israel e dos Estados Unidos era inseparável e dedicou sua vida à defesa dos EUA, ao fortalecimento da aliança entre os dois países e à defesa do mundo livre.
“Israel perdeu um de seus maiores amigos. Os Estados Unidos perderam um grande patriota. Eu perdi um amigo querido”, afirmou Netanyahu, ao prestar condolências à família de Graham e ao povo americano.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, cumprimenta Lindsey Graham antes de encontro em Kiev na sexta-feira (10)
Serviço de imprensa da presidência da Ucrânia via Reuters
