As stablecoins estão ampliando as formas de acesso e movimentação do dólar ao combinar a estabilidade de uma moeda tradicional com a infraestrutura da blockchain. Esses ativos permitem transferências durante 24 horas por dia, liquidação mais rápida e integração com diferentes plataformas financeiras.
No caso do USDC, a paridade com a moeda americana é mantida por meio de reservas formadas por dólares depositados em instituições parceiras e títulos do Tesouro dos Estados Unidos. A proposta é utilizar essa estrutura para reduzir obstáculos em pagamentos e transferências entre pessoas e empresas.
“O USDC é um ativo digital lastreado em dólares na proporção de um para um. Então, para cada dólar que a gente recebe, a gente emite um USDC e guarda esse dinheiro em reservas com bancos parceiros e investe em US Treasuries”, explica Bruno Mastelaro.
Instituições financeiras ampliam adoção
A entrada de bancos, corretoras e empresas de investimentos representa uma nova etapa do mercado de ativos digitais. Após um período marcado pelo surgimento de diferentes projetos, a discussão passou a envolver aplicações institucionais, regras de funcionamento e soluções voltadas a necessidades financeiras concretas.
Na Avenue, a incorporação do USDC foi associada à estratégia de conectar investidores brasileiros ao mercado internacional. A plataforma identificou na stablecoin uma alternativa para facilitar a dolarização, a manutenção de recursos em moeda americana e o uso da conta internacional.
“A escolha foi buscar o ativo que eu acho que sintetizava melhor todas essas conversas ao redor de confiança, de reservas e de publicidade do que é feito. E por isso foi a nossa escolha pelo USDC”, afirma Fernando Cesário.
Dólar digital reforça papel da moeda americana
A digitalização do dólar não altera necessariamente sua função como reserva de valor e principal instrumento de liquidação internacional. Na avaliação apresentada durante o Global Wallet, a blockchain adiciona uma nova infraestrutura para a circulação da moeda, permitindo sua utilização em serviços digitais e transações programadas.
No Brasil, o interesse pela dolarização também está relacionado à proteção patrimonial e à diversificação dos investimentos. Mesmo sem realizar compras ou viagens internacionais, consumidores e empresas estão expostos ao câmbio por meio dos preços de produtos importados, matérias-primas e serviços contratados no exterior.
“Eu não acho que ela enfraquece. Acho que fortalece o papel do dólar enquanto essa moeda que cumpre alguns propósitos, desde a reserva de valor nos momentos de volatilidade do mercado, mas também como a moeda que é a grande moeda de liquidação de transações no mundo inteiro”, avalia Fernando Cesário.
Transparência sustenta confiança nas stablecoins
A comprovação das reservas é um dos principais fatores para diferenciar stablecoins lastreadas de projetos que dependem apenas de mecanismos algorítmicos. Para investidores e instituições, a capacidade de converter o ativo digital em dólares depende da existência e da liquidez dos recursos mantidos pelo emissor.
A Circle divulga informações sobre a composição das reservas do USDC e realiza verificações periódicas com empresas independentes. Esse modelo também passou a servir como referência para reguladores que analisam as condições necessárias para a oferta de stablecoins aos consumidores.
“A gente quer ser transparente e demonstrar onde está esse dinheiro e o que a gente está fazendo com ele. A gente divulga publicamente a composição do fundo de reservas diariamente”, ressalta Bruno Mastelaro.
Inteligência artificial pode ampliar utilização
A combinação entre stablecoins, tokenização e inteligência artificial pode permitir a automatização de pagamentos, controles de caixa e transferências internacionais. Empresas com operações em diferentes países poderão programar movimentações financeiras e reduzir a dependência de processos manuais, sistemas paralelos e estruturas próprias de liquidez.
“A gente tem potencial para chegar a um momento em que enviar dólares para um amigo que está nos Estados Unidos ou na Europa, ou pagar um fornecedor, seja tão rápido, fácil e simples quanto enviar uma mensagem no nosso dia a dia”, projeta Bruno Mastelaro.
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