Editora suspeita em fraude de R$ 27 milhões oferecia ‘manual’ a prefeituras para burlar licitações em MS


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Responsável por movimentar mais de R$ 27 milhões em contratos considerados fraudulentos, a Editora Avante oferecia um passo a passo prefeituras sobre como justificar a compra de livros paradidáticos sem licitação, conforme aponta a investigação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
Segundo o Gaeco, a empresa compartilhava com servidores municipais um material com orientações para todas as etapas da contratação. A apuração faz parte da Operação Gutenberg, que investiga uma suposta organização criminosa suspeita de fraudar contratos para o fornecimento de livros paradidáticos a prefeituras de Mato Grosso do Sul.
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Segundo o MPMS, a Editora Avante interferia diretamente nos setores de compras das prefeituras para viabilizar contratações sem licitação.
Segundo o Gaeco, a empresa enviava um documento com orientações sobre todas as etapas da contratação, desde a elaboração do Estudo Técnico Preliminar até a emissão de parecer jurídico, empenhos e notas fiscais.
Conforme a investigação, documentos que deveriam ser produzidos pela administração pública eram direcionados pela própria empresa beneficiada.
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Estrutura da organização
A investigação aponta três pessoas como líderes da suposta organização criminosa.
Segundo o Ministério Público, Rossana Paroschi Jafar é apontada como a principal integrante do grupo e proprietária de fato da Editora Avante. A investigação afirma que ela comandava os contratos firmados com prefeituras para o fornecimento de livros paradidáticos. Embora atuasse em Mato Grosso do Sul, a empresa tinha sede em São Bernardo do Campo (SP).
Heyder Bartz é apontado pela investigação como responsável pela gestão estratégica do grupo, incluindo a definição de pagamentos e a divisão dos valores recebidos. Ele também é proprietário da empresa Superconteúdo Marketing Digital.
Francisco Anizio dos Santos é apontado como responsável pela logística financeira e operacional. Segundo o Gaeco, ele tinha acesso às contas bancárias da Editora Avante e coordenava saques em dinheiro feitos por pessoas usadas como “laranjas”.
Segundo a investigação, Rhayane Souza Fanaia foi a primeira proprietária formal da empresa. O Ministério Público afirma que ela seguia orientações dos investigados para sacar e distribuir dinheiro.
A quebra do sigilo telefônico revelou mensagens com instruções para o repasse dos recursos.
Segundo o Gaeco, a movimentação financeira da Editora Avante chegou a cerca de R$ 27 milhões entre 2022 e 2024.
Livros vendidos pela editora investigada.
Reprodução
Como funcionava o esquema
A Editora Avante começou a operar em 2021. Os primeiros contratos com prefeituras de Mato Grosso do Sul foram assinados no ano seguinte.
Segundo o Ministério Público, a empresa vendia livros paradidáticos para alunos do ensino fundamental por meio de contratações sem licitação. A investigação também aponta que a empresa orientava as prefeituras sobre como justificar esse tipo de compra.
Mensagens encontradas no celular de Rhayane Souza Fanaia mostram, segundo o Gaeco, um roteiro com orientações para formalizar as contratações. O material detalhava desde a elaboração dos documentos técnicos até a emissão de notas fiscais.
Contratos investigados
Os primeiros contratos identificados pelo Gaeco foram firmados em 2022 e somam cerca de R$ 3 milhões.
Miranda: R$ 1 milhão;
Ivinhema: R$ 874 mil;
Bonito: R$ 818 mil;
Ladário: R$ 459 mil.
A investigação também identificou contratos firmados entre 2025 e 2026:
Anaurilândia: R$ 232 mil;
Japorã: R$ 226 mil;
Fátima do Sul: R$ 244 mil;
Deodápolis: dois contratos de R$ 161 mil e R$ 313 mil;
Caarapó: R$ 589 mil.
Família Paroschi Jafar, suspeita de esquema em Campo Grande.
Redes sociais/Reprodução
Livros investigados
Segundo o Ministério Público, parte dos livros vendidos pela Editora Avante pertence à série “Mundo do Theo”, publicada pela Editora Galeria das Letras e voltada à inclusão de pessoas neurodivergentes.
A reportagem procurou a Editora Galeria das Letras, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.
Operação Gutenberg
A Operação Gutenberg foi deflagrada em 7 de julho e cumpriu 16 mandados de prisão.
Giovanni Jafar, que estava foragido, se apresentou à polícia nesta terça-feira (14). Heyder Bartz continua foragido.
O que dizem os citados
A reportagem procurou todas as prefeituras citadas. Apenas a Prefeitura de Fátima do Sul respondeu.
Veja a nota na íntegra:
“Até o momento, o município não foi notificado acerca de qualquer investigação, procedimento ou apontamento de irregularidade relacionado ao contrato mencionado e mantém seus atos e registros administrativos disponíveis aos órgãos de controle e fiscalização.”
A defesa de Rossana Paroschi Jafar informou que ainda analisa o caso antes de se manifestar.
A reportagem não conseguiu contato com as defesas de Giovanni Jafar, Rhayane Souza Fanaia e Heyder Bartz.
O advogado de Francisco Anizio dos Santos não respondeu aos contatos da reportagem.
Da direita para a esquerda Gabriel Taquino de Paula , Paulo e Douglas de Melo, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, na fileira de cima. Ed Carlo Britto Burgatt, Olívia Jafar e Rossana Paroschi Jafar na fileira de baixo.
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