O que acontece com bens apreendidos pela Justiça

Apreendidos em operações policiais, bens podem ter diferentes destinosGerado por IA

Drogas, armas, carros, lanchas, aviões, dinheiro falso e aparelhos celulares são bens que quase sempre estão nas apreensões da Justiça e que pertencem aos acusados por crimes.

Por mais inusitados que sejam, todos os bens apreendidos precisam ter a destinação definida pelo Poder Judiciário. Eles podem ser devolvidos aos proprietários, leiloados, doados ou destruídos, dependendo do andamento do processo e da origem do material.

Segundo o Conselho Nacional de Justiça, em alguns casos, por exemplo, quando o acusado cria gado, os animais podem ser apreendidos e entregues provisoriamente a fiéis depositários, que ficam responsáveis pela “manutenção em bom estado” do rebanho. Esse procedimento é utilizado quando os animais não estão relacionados a crime ambiental, mas possuem valor econômico.

Em outros casos, os bens apreendidos recebem uma nova finalidade e novos propósitos. Carregadores de revólver apreendidos, por exemplo, podem ser doados à Polícia Rodoviária Federal. Armas de fogo ou munições apreendidas sem registro ou autorização podem ser transferidas ao Comando do Exército, a quem cabe decidir se é pertinente ou não doá-las às forças policiais. 

Como funciona a destruição dos bens apreendidos 

A Justiça também pode determinar a destruição de bens quando eles são ilegais, como drogas e armas sem registro, não têm valor comercial, estão deteriorados ou são instrumentos de crimes que não podem ser vendidos. No caso das drogas, elas são incineradas após perícia e autorização judicial. Já produtos piratas ou proibidos, como máquinas caça-níqueis, são triturados para impedir que voltem a circular. 

O destino de bens de valor apreendidos 

Em entrevista ao iG, o advogado especializado em Direito Criminal Joabs Sobrinho explica que a legislação estabelece tratamentos diferenciados conforme a natureza e a liquidez do bem. No caso do dinheiro, por exemplo, ele é depositado em uma conta judicial vinculada ao juízo da causa, onde permanece com correção monetária. 

Joabs explica que, em relação à guarda e à conservação dos bens, carros e joias costumam ser confiados a um fiel depositário, geralmente nomeado pelo juízo, ou mantidos em pátios vinculados às polícias ou a órgãos do Poder Judiciário. 

Quando um bem apreendido pode ser devolvido ao proprietário?

Segundo o advogado Joabs Sobrinho, a devolução ocorre sempre que o bem deixa de interessar ao processo e não houver dúvidas sobre sua propriedade ou origem lícita. 

Já o perdimento, ou confisco, ocorre no processo contrário: quando fica comprovado que o bem é produto ou proveito de um crime, o Estado assume sua propriedade. É o que acontece, por exemplo, com dinheiro proveniente de corrupção, veículos comprados com recursos do tráfico de drogas ou instrumentos utilizados na prática do delito. 

Leilão antes do fim do processo: quando é permitido 

Em alguns casos, o leilão pode ocorrer antes do fim do processo. Nessa modalidade, denominada alienação antecipada, o magistrado pode determinar a venda do bem quando ele estiver sujeito à deterioração ou à depreciação, ou quando houver dificuldade para sua manutenção. 

Em relação ao destino dos valores obtidos com a venda dos bens apreendidos, varia conforme a natureza do crime. No caso de crimes de tráfico, o advogado Joabs Sobrinho explica que geralmente os valores são destinados ao Fundo Nacional Antidrogas (Funad), que financia políticas de prevenção e combate às drogas. Em outros casos, os valores podem ser transferidos para o Tesouro Nacional ou para fundos específicos do Poder Judiciário ou de Segurança Pública.

O que acontece com os bens do crime organizado 

Nesses casos, a legislação é muito mais rigorosa e os bens do crime organizado são alvo de apreensão, bloqueio e posterior confisco em favor do Estado.

Para asfixiar financeiramente as facções, a legislação permite a venda antecipada dos itens como imóveis e veículos de luxo para evitar a perda de valor. Os valores arrecadados são destinados a fundos de segurança pública e políticas sociais. 

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