Rússia rejeita acusações de interferência nas eleições americanas


A Rússia voltou a rejeitar as acusações dos Estados Unidos de tentativa de interferência nas eleições americanas nesta sexta-feira (17).
Presidente dos EUA, Donald Trump, durante pronunciamento em 16 de julho de 2026
Saul Loeb/Pool via AP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alegou que a China interferiu nas eleições americanas de 2020, que ele perdeu para o candidato democrata Joe Biden.
As alegações de Trump atribuindo sua derrota a uma suposta fraude nas urnas em 2020 já vem de longa data. Foi sob esse argumento que seus apoiadores invadiram o Capitólio em 6 de janeiro de 2021, quando o Congresso referendaria os resultados eleitorais (leia mais abaixo).
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Em um pronunciamento na noite desta quinta-feira (17), Trump anunciou a abertura de cinco grupos de documentos pela Casa Branca que supostamente provariam fraudes nas eleições de 2020.
“Eles demonstram que, ao longo de vários anos — começando durante o ciclo eleitoral de 2020 —, a República Popular da China realizou o que se acredita ser a maior violação de dados eleitorais da história, resultando na obtenção ilícita, por parte da China, de registros de 220 milhões de eleitores americanos”, alegou Trump.
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O republicano disse que solicitaria uma investigação sobre a China a seu diretor do FBI, Kash Patel, e acusou funcionários da própria inteligência americana de acobertar as supostas evidências de fraude.
Suas alegações contradizem uma avaliação não sigilosa de 2021 da comunidade de inteligência dos EUA, a qual não encontrou indícios de que qualquer ator estrangeiro tenha tentado alterar — ou tenha conseguido alterar — “qualquer aspecto técnico” da votação da eleição presidencial de 2020, incluindo registros de eleitores, cédulas, apurações ou resultados.
Ele também fez outras alegações, como a de que votos enviados pelo correio — modalidade permitida em alguns estados do país — seriam falsificados.
“A China e outros países têm tentado interferir em nossas eleições, e evidências de fraude foram ocultadas. Centenas de milhares de não cidadãos e pessoas falecidas constam como ativos nas listas de eleitores e, ainda assim, realizamos eleições sem exigência de identificação do eleitor ou comprovação de cidadania, com dezenas de milhões de cédulas circulando livremente pelo correio”, afirmou Trump.
Na fala, Trump repetiu suas reclamações em relação ao sistema de votação dos EUA, dizendo que as eleições e apurações do país são vulneráveis. Nos Estados Unidos, cada estado realiza sua própria votação e contagem.
Trump instou os republicanos a promoverem um projeto de lei — o “SAVE America Act” — que exigiria a apresentação de documento de identificação com foto para votar e a comprovação de cidadania americana para o registro eleitoral, além de determinar que os estados compartilhem informações sobre o cadastro de eleitores com o governo federal.
Democratas e defensores do direito ao voto afirmam que a fraude eleitoral é extremamente rara e argumentam que a legislação defendida por Trump restringiria votos legítimos.
Por fim, o presidente americano ameaçou os canais de TV que se recusaram a exibir seu pronunciamento ao vivo, ABC e NBC, com a revogação de suas licenças.
Derrota eleitoral e falsa alegação de fraude
Democratas alertaram nesta semana que Trump estaria tentando ressuscitar falsas alegações de eleições anteriores roubadas para deslegitimar as próximas eleições legislativas de 2026, nas quais o Partido Republicano de Trump enfrenta dificuldades.
A fixação de Trump com sua derrota para Biden e com as teorias sobre o pleito já amplamente desmentidas continuam sendo assuntos que ele menciona regularmente em suas falas públicas desde que retornou à Casa Branca, em 2025.
Porém, elevar esses tópicos profundamente políticos e conspiratórios a um pronunciamento presidencial em horário nobre destaca até que ponto Trump tem usado seu segundo mandato para romper normas e se concentrar em antigas queixas.
Assim como no Brasil, pronunciamentos presidenciais em horário nobre nos EUA normalmente são reservados para grandes marcos ou eventos de importância nacional. A última vez que Trump fez um pronunciamento desse tipo foi em abril, quando ele disse que o país atingiria seus objetivos na guerra no Irã “muito em breve”. O conflito, no entanto, ainda está ocorrendo.
Tribunais contra as conspirações de Trump
A alegação de que houve fraude em 2020 já foi rejeitada por tribunais, auditorias eleitorais e pelo Departamento de Justiça durante o primeiro mandato de Trump, que não encontraram evidências de fraude, incluindo qualquer manipulação de urnas eletrônicas.
Na época, a agência federal de segurança cibernética classificou a votação como “a mais segura da história dos Estados Unidos”.
Desde que voltou à Casa Branca, o governo Trump tem ampliado a supervisão federal sobre a administração das eleições e proposto mudanças no sistema de votação.
Especialistas em direito eleitoral afirmam que essas iniciativas retirariam poderes dos Estados, o que poderia violar a Constituição americana.
Às vésperas das eleições legislativas de novembro, que definirão o controle do Congresso, democratas e especialistas em segurança eleitoral dizem temer que o governo tente interferir no processo.
Segundo especialistas ouvidos pela Reuters, ao insistir que a eleição de 2020 foi ilegítima, Trump abre caminho para contestar possíveis derrotas republicanas e enfraquecer a legitimidade de eventuais vitórias democratas.
Alunos observam urna instalada em colégio de Nova York. Estudantes retornaram às aulas na segunda, uma semana após a cidade ter sido atingida pela supertempestade Sandy.
John Moore / AFP
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