Capacete de 3.500 anos mostra deuses cobertos de ouro

Capacete com figuras divinasReprodução/Metropolitan Museum of Art

Um capacete de bronze feito há cerca de 3.500 anos pela antiga cultura elamita chama a atenção por trazer as figuras de três deuses cobertos de ouro.

A peça, que faz parte da coleção do Metropolitan Museum of Art (The Met), foi feita por um artesão da civilização antiga, que viveu na região onde hoje fica o sudoeste do Irã, antes da conquista pelo Império Persa.

O elmo provavelmente foi de um rei guerreiro ou de outro soldado de alta posição, tendo ainda um significado religioso, com figuras que acreditava-se protegerem quem o usava, segundo estudo do museu.

Com formato arredondado, o objeto tem 21,6 centímetros de diâmetro, com um recorte na região das sobrancelhas e, originalmente, uma peça ajudava a proteger o nariz do usuário. A borda é decorada com pequenos detalhes de prata que também são revestidos com ouro. Na parte de trás, um tubo de bronze provavelmente servia para prender um enfeite feito de penas ou fios de cabelo.

A peça foi feita pelos elamitas, um dos povos mais antigos do Oriente Próximo, região que inclui parte do atual Oriente Médio. Eles viveram entre cerca de 2700 a.C. e 539 a.C. na área onde hoje fica o sudoeste do Irã, às margens do lado oriental do Golfo Pérsico.

Os elamitas travaram guerras frequentes com cidades da antiga Mesopotâmia, como Ur e Babilônia, deixando para trás diversas armas e armaduras bem trabalhadas.

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Deuses e uma águia

A parte da frente do capacete se destaca com três divindades cobertas por folhas de ouro. No centro está uma figura masculina segurando um recipiente de onde a água parece escorrer. Por isso, pesquisadores acreditam que ela represente um deus elamita ligado à água, possivelmente Inshushinak ou Napirisha.

Ao lado dele estão duas figuras femininas iguais, usando coroas com chifres, colares e pulseiras. As duas levantam as mãos em um gesto de oração.

Acima das três divindades aparece uma grande ave de rapina com as penas desenhadas em detalhes. Segundo o estudo do curador Charles K. Wilkinson, essa ave pode simbolizar a ave de rapina que esperaria as vítimas do rei guerreiro que usava o capacete.

Prestígio e proteção

Pesquisadores acreditam que o capacete era de uma pessoa de posição elevada na sociedade elamita e que talvez fosse usado em cerimônias especiais, além de poder servir como equipamento de guerra.

As imagens dos deuses provavelmente tinham a função de proteger o usuário e afastar os perigos nos combates.

Em um livro publicado em 1988 sobre objetos de bronze e ferro do antigo Oriente Próximo que fazem parte da coleção do The Met, o arqueólogo Oscar White Muscarella descreveu a peça como “uma obra-prima da arte antiga” que “não encontra paralelos nem na arte representativa do antigo Oriente Próximo nem nas descobertas arqueológicas”, destacando que seu formato e sua decoração são únicos.

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