‘Já estive nessa maca’: jovem que convive com câncer raro decide ser médica para ajudar outros pacientes


Jovem que convive com câncer raro decide ser médica para ajudar outros pacientes
Aos 21 anos, Kimie Kosin recebeu o diagnóstico de um sarcoma, um tipo raro de câncer que mudou seus planos de vida. Durante três anos de tratamento, ela passou a enxergar a medicina de uma nova forma e decidiu transformar a própria experiência como paciente em uma missão: cuidar de pessoas que enfrentam uma realidade parecida.
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A vontade de cuidar de pessoas já fazia parte da vida de Kimie antes do câncer. Mas, ao receber o diagnóstico, ela precisou deixar os planos de lado para enfrentar uma nova rotina, marcada por exames, tratamentos e incertezas sobre o futuro.
“A palavra ‘futuro’ virou um eco vazio. Para que planejar algo se os tratamentos falhavam e a certeza de que eu estaria aqui amanhã diminuía a cada consulta? Eu sentia que a esperança e os meus sonhos morriam um pouco por dia, junto com o meu corpo. Foram três anos no escuro”, disse.
O início do tratamento no Hospital do Amor foi marcado pelo medo e pela adaptação a uma rotina completamente nova. Com o passar do tempo, porém, o lugar que antes representava incerteza passou a ser também um espaço de acolhimento. A equipe que acompanhava Kimie passou a conhecer suas necessidades, seus momentos de silêncio e as dificuldades enfrentadas durante o tratamento.
Foram anos entre ciclos de hormonioterapia, quimioterapia e radioterapia, muitas vezes sem a resposta esperada. A rotina incluía longas horas no hospital, corredores conhecidos e madrugadas no pronto-socorro.
“A cada novo protocolo, a cada nova promessa, o meu corpo afundava um pouco mais. Eu ficava mais magra, mais fraca, mais presa àquela cama, e a esperança ia se esvaindo entre os meus dedos”, disse.
Nesse período, o significado de um dos símbolos da medicina também mudou para ela. O estetoscópio, que antes representava apenas o sonho de ajudar outras pessoas, passou a simbolizar uma conexão mais profunda com os pacientes.
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Medicina com acolhimento
Kimie Kosin
Reprodução/acervo pessoal
Kimie não quer estudar medicina apenas para tratar doenças. Ela quer enxergar as pessoas por trás dos diagnósticos, especialmente aquelas que, em meio à incerteza, deixaram de fazer planos.
“O câncer não mudou só o meu sonho de ser médica; ele mudou a médica que eu vou ser. Quando eu finalmente pude voltar a estudar, eu já não era a mesma estudante”, disse ela.
Hoje, Kimie sonha em ser a médica que permanece ao lado do paciente mesmo quando a cura não é possível. Entre a oncologia e os cuidados paliativos, ela imagina um futuro em que acolhimento, dignidade e presença sejam partes essenciais do tratamento.
“Vendo aqueles médicos e aquelas enfermeiras se doando por mim nas madrugadas, percebi que a medicina vai muito além dos livros técnicos; ela é a forma mais pura de amor ao próximo em ação”, relembrou.
Ao pensar no encontro com jovens recém-diagnosticados, ela se vê oferecendo mais do que conhecimento técnico. Quer oferecer compreensão por já ter vivido aquele momento. Para Kimie, transformar a própria experiência em apoio para outras pessoas é o maior propósito.
“Eu já estive nessa mesma maca. Sei o medo. E quero caminhar com cada paciente até o fim”, afirma.
Depois de transformar a própria experiência como paciente em motivação para seguir a medicina, Kimie também quer que outras pessoas em tratamento saibam que não precisam enfrentar a doença sozinhas. A pedido do g1, ela deixou uma mensagem para pacientes que passam por esse momento.
“Não se culpe por sentir medo, raiva ou por chorar. A luta é pesada demais para ser vivida com um sorriso falso no rosto. Mas, por favor, não desista do seu hoje. Viva um dia de cada vez. Às vezes, a nossa única vitória é aguentar até o pôr do sol. Permita-se ser cuidado e lembre-se: você é muito maior do que a doença que habita o seu corpo”, aconselhou.
Jovem que convive com câncer raro decide cursar medicina para ajudar outros pacientes
Reprodução/acervo pessoal
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