
Tudo começou com uma decisão simples: onde cada deputado resolveu sentar. A situação foi a Assembleia Nacional Constituinte da França, em 1789, em meio à Revolução Francesa. A divisão que aconteceu naquele momento moldou a expressão política ocidental e segue firme até hoje.
Os políticos discutiam o futuro francês e os espectros se separaram pelo lugar escolhido no salão: à direita ficaram os que apoiavam a monarquia e a ordem tradicional. Nobres, clérigos e aqueles que queriam manter os privilégios do Antigo Regime, além do poder do rei intacto.

Do lado oposto, à esquerda, sentaram os que pediam a mudança: o Terceiro Estado, burgueses e intelectuais defendendo o fim dos privilégios feudais, a igualdade diante da lei e, posteriormente, a república.
Por fim, o centro ficou ao meio. Eram os moderados, opostos aos dois extremos, que queriam uma saída intermediária: uma monarquia constitucional, com o poder do rei limitado por leis. Parte considerável da burguesia mais cautelosa se acomodou nesse grupo.

No século 19, ao passo que outros países europeus passaram por seus próprios confrontos políticos, os mesmos rótulos foram usados para diferenciar quem queria mudanças na sociedade de quem preferia mantê-la como estava.
As Revoluções de 1848, que ganharam força em Paris, trouxeram um crescimento dos movimentos socialistas e operários, que também adotaram os termos.
Depois, as expressões políticas foram muito além da monarquia.

A esquerda virou sinônimo de igualdade social, justiça e distribuição de renda. A direita, por sua vez, foi ligada à tradição, hierarquia e liberdade econômica.
No Brasil
Essa definição, no entanto, não é fixa. As expressões políticas podem mudar de significado conforme o país e o período.
No Brasil da ditadura militar, por exemplo, ser de direita significava apoiar o regime, enquanto a esquerda unia quem estava contra os governantes.

Há, apesar das convergências, uma distribuição importante: nem mesmo na origem, ainda na Revolução Francesa, esquerda e direita representavam classes sociais fechadas.
À direita havia nobres pobres do interior; à esquerda, advogados, médicos e comerciantes ricos.
