
Espaço de qualificação profissional acolhe mulheres em situação de vulnerabilidade
Criada para oferecer capacitação e acolhimento, a Casa Fio a Fio, localizada no bairro Rui Lino, em Rio Branco, tem ajudado mulheres em situação de vulnerabilidade a desenvolver novas habilidades e assim, enxergar possibilidades de geração de renda. O espaço, inaugurado há um mês, oferece cursos gratuitos em áreas como costura, artesanato, gastronomia e beleza.
Entre as participantes também são atendidas mães solo e vítimas de violência doméstica, como a dona de casa Maria das Dores, que encontrou na costura uma oportunidade de recomeçar após enfrentar problemas de saúde mental. Ela se matriculou no curso em busca de melhorias financeiras.
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“Não tenho muita experiência mas resolvi encarar o desafio de aprender a costurar. Lembro que as primeiras peças produzidas nas aulas foram aprovadas pela coordenação do curso, e isso tudo que aumentou a minha confiança para seguir aprendendo mais”, disse.
Mantido pela prefeitura, o local conta com salas temáticas, cozinha e auditório
Foto: Samuel Moura/Secom
A casa é mantida pela prefeitura da capital e conta com salas para cursos de beleza, cozinha equipada e um auditório destinado a palestras e encontros.
Inspiração
A aposentada Reneuda Melo também viu na iniciativa uma forma de aperfeiçoar conhecimentos adquiridos ainda na infância. Filha de costureira, ela cresceu observando a mãe confeccionar roupas para a família e aprendeu técnicas básicas de costura manual ainda criança.
“Apesar da familiaridade com esse mundo, eu nunca tinha trabalhado com máquinas. Foi no curso que passei a desenvolver novas habilidades e aprofundar esses conhecimentos que eu só só observava na casa da minha família”, explicou.
Conforme a artesã Elizabeth Luckner, que está entre as alunas da nova turma, ela conta que encontrou nos cursos uma forma de ocupar o tempo, aprender novas técnicas e ampliar seus conhecimentos na área do artesanato.
“Essas atividades têm contribuído para o meu bem-estar emocional. Eu até já fazia pequenos consertos, mas decidi buscar capacitação para aprender a parte da modelagem e fabricação de sandálias que sempre achei lindo”, declarou.
Além disso, para Eugênia dos Santos o aprendizado fez com que ela, em pouco tempo, conseguisse produzir as primeiras peças, mesmo sem nunca ter trabalho com a arte. Sendo assim, ela passou a considerar a costura como uma possibilidade de empreender e até complementar a renda.
Ela também relata que enfrentou dificuldades no aprendizado, mas se surpreendeu com a própria evolução. Além da qualificação profissional, Eugênia afirma que a participação contribuiu para mudanças. “Hoje sou mais positiva e diferença na minha rotina, estou mais motivada”, completou.
Novos cursos
Segundo a coordenadora da Casa Fio a Fio, Suellen Araújo, a proposta é ampliar o acesso à qualificação profissional e incentivar o empreendedorismo feminino. A iniciativa busca criar oportunidades de autonomia financeira e inclusão social para mulheres acreanas.
A expectativa também é ampliar a oferta de cursos nos próximos meses. Entre as capacitações previstas estão formações em confeitaria, produção de salgados, coloração capilar, crochê, costura criativa e outras atividades voltadas ao empreendedorismo.
Mais do que um local de aprendizado, o espaço também se tornou um ambiente de convivência. Durante as aulas, as participantes compartilham experiências, criam vínculos e fortalecem a autoestima por meio da troca de vivências.
Para Reneuda, um dos principais benefícios é a convivência. Ela pontuou que o ambiente favorece a interação entre as participantes, promove momentos de descontração e fortalece a autoestima das alunas. A coordenação disse que a procura tem sido grande e o espaço já conta com lista de espera.
Ainda segundo Maria das Dores, os impactos positivos do projeto a têm ajudado na recuperação, disposição, e tem melhorado o humor. “Isso renova a forma como enxergo o próprio futuro”, resumiu.
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