Médica presa suspeita em esquema de R$ 27 milhões na compra de livros deu plantões na Santa Casa até janeiro


Conheça o ‘Clã Jafar’, a família suspeita em esquema de R$ 27 milhões em MS
A médica Olívia Paroschi Jafar, alvo da Operação Gutenberg e presa em 7 de julho, atuou como plantonista no Pronto Atendimento do Privado (Prontomed) da Santa Casa de Campo Grande em 2025, prestando serviços como Pessoa Jurídica (PJ). O hospital não é alvo da investigação.
Segundo a Santa Casa, Olívia começou a trabalhar na instituição em janeiro de 2025, como autônoma. Depois, formalizou a prestação de serviços por meio da empresa Jafar Estética e Saúde Ltda. O último registro de plantão na Instituição foi em janeiro de 2026.
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‘Clã Jafar’: entenda como família de médica herdou e expandiu esquema milionário
Olívia deixou a prisão no sábado (18), após pagar fiança e passar a usar tornozeleira eletrônica. Ela é investigada na Operação Gutenberg, que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de usar a regulação de vagas, exames e cirurgias do Sistema Único de Saúde (SUS) em Mato Grosso do Sul para pressionar prefeitos a comprar livros da Editora Avante.
Atuação na Santa Casa
Segundo a Santa Casa, o contrato previa pagamento apenas pelos plantões efetivamente realizados. Para receber os honorários, a médica precisava emitir nota fiscal.
A instituição afirmou ainda que, para a contratação da empresa, exigiu certidões negativas e documentos que comprovassem a regularidade da médica junto ao Conselho Regional de Medicina (CRM) e a outros órgãos competentes.
“À época da contratação da Dra. Olívia Jafar, toda a documentação exigida foi devidamente apresentada e analisada, não sendo constatada qualquer irregularidade […] Informamos ainda que a Dra. Olívia Jafar realizou seu último plantão em janeiro de 2026, não havendo, desde então, registro de novas prestações de serviços decorrentes do referido contrato”, afirma a nota.
A defesa de Olívia, representada pela advogada Estella Bauermeister, afirmou que o contrato com a Santa Casa não tem relação com os fatos investigados. Veja as notas na íntegra ao final da reportagem.
Olívia Paroschi Jafar é um dos alvos da Operação Gutenberg.
Reprodução
Prisão e pagamento de fiança
Olívia é suspeita de participação no esquema investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).
Segundo as investigações, o esquema teria movimentado mais de R$ 27 milhões em contratos considerados fraudulentos entre 2022 e 2024.
A liberdade da médica foi confirmada ao g1 pela defesa, que não informou o valor da fiança. Segundo a advogada Estella, a Justiça determinou que ela use tornozeleira eletrônica, compareça sempre que for convocada e não mantenha contato com familiares que permanecem presos.
Além de Olívia, a operação também cumpriu mandados de prisão contra a mãe dela, Rossana Paroschi Jafar, e os irmãos Felipe Paroschi Jafar e Giovanni Paroschi Jafar. Os três continuam presos.
Crime em família: como mãe e filhos suspeitos usaram gráfica para fraudar R$ 27 milhões em livros em MS
Também foram presos:
Rhayane Souza Fanaia, ex-nora de Rossana;
Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, ex-prefeito de Fátima do Sul e assessor parlamentar;
Ed Carlo Britto Burgatt, coordenador de regulação de Mato Grosso do Sul;
Francisco Anizio dos Santos;
Matheus Oliveira Peixoto;
Paulo Rogério de Melo, empresário;
Douglas Henrique de Melo, empresário e filho de Paulo;
Gabriel Taquino de Paula;
Jessyca Duarte Burgatt, filha de Ed Carlo Britto Burgatt, que já deixou a prisão;
Joatan Gomes Peixoto, que também obteve liberdade e passou a usar tornozeleira eletrônica;
Geancarlo Leal de Freitas, servidor público que também foi solto.
Heyder Bartz, o único entre os alvos de mandado de prisão que está foragido. Ele é apontado pelo Gaeco como um dos chefes da suposta organização.
Saúde de MS como “moeda de troca”
As investigações apontam que os envolvidos interferiam diretamente nos setores de compras das prefeituras e forneciam um “manual” com orientações para direcionar as contratações por inexigibilidade de licitação. O material incluía instruções sobre a elaboração de estudos técnicos preliminares, pareceres jurídicos e emissão de notas fiscais.
🔎 O grupo é apontado como uma sucessão familiar do esquema investigado anteriormente na Operação Lama Asfáltica, mantendo modelos semelhantes de atuação sob o comando de Rossana Paroschi Jafar.
Segundo o Gaeco, o núcleo do esquema contava com a participação de Ed Carlo Britto Burgatt, então coordenador de regulação da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS), que teria usado o cargo para favorecer ou prejudicar municípios conforme os interesses da Editora Avante.
O que diz a defesa de Olívia Jafar
“A Justiça reconheceu expressamente que Olivia Paroschi Jafar não integra o núcleo que chefia a organização criminosa, entendimento que fundamentou a substituição de sua prisão preventiva por medidas cautelares.
A advogada Estella Bauermeister, que assumiu recentemente a defesa de Olivia Paroschi Jafar, informa que, após criteriosa análise dos autos e apresentação de manifestação técnica da defesa, um dos fundamentos acolhidos pelo Juízo das Garantias foi o reconhecimento expresso de que “ela não integra o núcleo de chefia da organização”, circunstância que, juntamente com os demais elementos dos autos, fundamentou a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares diversas, dentre elas o monitoramento eletrônico.
Médica, Olivia Paroschi Jafar sempre desenvolveu suas atividades profissionais exclusivamente na medicina, profissão da qual retira, de forma digna e independente, o seu sustento. Nunca exerceu qualquer função de direção ou administração das empresas investigadas, possuindo vida profissional, renda e residência próprias.
A análise técnica dos autos realizada pela defesa evidenciou que Olivia possui situação absolutamente distinta da atribuída aos investigados. Não exercia qualquer papel de direção, comando ou gestão na suposta organização criminosa e não mantinha vínculo com às pessoas investigadas, muitas das quais sequer conhecia, além de sua mãe e irmãos.
A defesa também esclarece que o contrato firmado com a Santa Casa, amplamente divulgado pela mídia, não possui qualquer relação com os fatos investigados. Trata-se exclusivamente do instrumento utilizado para formalizar a prestação de serviços médicos em regime de plantão, por meio de pessoa jurídica, modalidade amplamente adotada por hospitais e profissionais da medicina para contratação e remuneração de seus serviços.
A defesa seguirá atuando para demonstrar, no curso do processo, a efetiva individualização da conduta atribuída à investigada, com a convicção de que a análise técnica dos fatos prevalecerá”.
Estella Bauermeister e Lucas Gertz, advogados.
O que diz a Santa Casa
“A Santa Casa de Campo Grande vem a público esclarecer informações referentes à atuação da médica Dra. Olívia Jafar, regularmente inscrita no Conselho Regional de Medicina do Estado de Mato Grosso do Sul sob o CRM-MS nº 14802.
A profissional iniciou suas atividades junto à Instituição em janeiro de 2025, atuando como médica plantonista do Prontomed (Pronto Atendimento do Privado), inicialmente na condição de médica autônoma. Posteriormente, diante da necessidade de formalização da prestação de serviços, foi celebrado contrato de prestação de serviços médicos, por meio da Pessoa Jurídica Jafar Estética e Saúde Ltda., com objeto exclusivo de realização de plantões eventuais, sem escala fixa ou carga horária permanente. O contrato prevê remuneração apenas mediante efetiva realização de plantão, com emissão de Nota Fiscal para processamento e pagamento dos honorários, em conformidade com os princípios da transparência e regularidade contábil.
Cumpre destacar que, como etapa obrigatória do processo de contratação de médicos na modalidade Pessoa Jurídica, a instituição exige a apresentação de certidões negativas e demais documentos comprobatórios de regularidade junto ao Conselho Regional de Medicina e demais órgãos competentes. À época da contratação da Dra. Olívia Jafar, toda a documentação exigida foi devidamente apresentada e analisada, não sendo constatada qualquer irregularidade.
Informamos ainda que a Dra. Olívia Jafar realizou seu último plantão em janeiro de 2026, não havendo, desde então, registro de novas prestações de serviços decorrentes do referido contrato.
A Santa Casa reafirma que não é alvo de investigações do GAECO relacionadas a este caso e que o contrato celebrado seguiu rigorosamente as normas legais de contratação. A Instituição mantém sua missão de Salvar Vidas, dedicando-se diariamente à prestação de serviços técnicos e humanizados, sempre zelando pela total transparência junto à sociedade”.
Olívia Jafar realizava procedimentos estéticos em clínica de MS e tinha ligação com a Santa Casa
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