O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a contestar as medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Em artigo publicado no jornal norte-americano The Washington Post, Lula criticou as justificativas apresentadas pelo governo de Donald Trump para as novas tarifas e defendeu o Pix.
O presidente também reafirmou que o Brasil poderá recorrer a medidas de reciprocidade. A alternativa, no entanto, continua sendo tratada pelo governo como uma possibilidade, e não como uma decisão já tomada.
No artigo, Lula afirmou que o país mantém disposição para o diálogo com Washington, mas não aceitará interferência externa no processo político e eleitoral brasileiro.
O posicionamento ocorre em meio às tarifas impostas pelos Estados Unidos e às críticas feitas por integrantes do governo americano ao sistema político e eleitoral do Brasil.
Lula eleva tom contra governo americano
O artigo trouxe críticas diretas a representantes da administração Trump. Lula citou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e afirmou que nunca antes um ocupante do cargo havia classificado o Brasil como um país não amigo.
O presidente também escreveu que “ninguém vai derrotar o Brasil com base em mentiras”. A declaração reforça a estratégia do Planalto de apresentar as tarifas como uma medida baseada em argumentos políticos, e não apenas comerciais.
Ao defender o Pix, Lula respondeu às críticas americanas ao sistema brasileiro de pagamentos. O mecanismo tornou-se um dos pontos do confronto entre os dois governos em meio às discussões sobre plataformas digitais, concorrência e atuação de empresas estrangeiras no país.
Brasil prepara contestação das tarifas na OMC
O governo brasileiro prepara uma nova contestação das tarifas americanas na Organização Mundial do Comércio. A estratégia será questionar a base utilizada pelos Estados Unidos para aplicar a taxação sobre produtos do Brasil.
Paralelamente, o Planalto mantém a possibilidade de utilizar instrumentos de reciprocidade caso considere necessária uma resposta comercial.
Representantes do setor empresarial, porém, defendem cautela. A preocupação é que uma escalada entre os dois países aumente custos, reduza a competitividade das empresas e prejudique exportadores brasileiros.
A condução da reação exigirá uma combinação entre medidas diplomáticas, questionamentos nos organismos multilaterais e negociações diretas com Washington.
China manifesta apoio ao Brasil
Em conversa com Lula, o presidente da China, Xi Jinping, afirmou que Pequim apoia o Brasil na rejeição a interferências externas. A declaração foi feita durante o aumento das tensões entre Brasília e Washington.
Xi também defendeu maior coordenação estratégica entre Brasil e China, tanto nas relações bilaterais quanto em fóruns multilaterais.
Lula destacou a importância de avançar nas negociações comerciais entre a China e o Mercosul, com as flexibilidades consideradas necessárias pelo governo brasileiro.
A aproximação reforça a estratégia de diversificação dos mercados de exportação em um momento de maior atrito com os Estados Unidos. Ao mesmo tempo, o governo terá de equilibrar a busca por novos parceiros com a preservação da relação comercial com os americanos.
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