RJ: Policiais ligados ao bicheiro Rogério Andrade voltam à prisão

Contraventor Rogério de AndradeReprodução

Três policiais militares que respondiam em prisão domiciliar foram presos novamente na manhã desta terça-feira (28), depois de por mais de uma vez, descumprirem as medidas cautelares impostas pela Justiça. 

O trio foi denunciado na operação Petrorianos, deflagrada em 2024, e respondem por suspeita de integrarem o núcleo de segurança do contraventor Rogério de Andrade.

A ação desta terça foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Rio (MPRJ), com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) e da Corregedoria da Polícia Militar.

Violações

De acordo com o MPRJ, apesar de terem sido autorizados a cumprir prisão cautelar em casa, os policiais desrespeitaram diversas vezes as determinações judiciais, como o recolhimento noturno e aos finais de semana.

Ainda segundo a investigação, um dos acusados também descarregou a tornozeleira eletrônica em pelo menos nove ocasiões diferentes. Em uma delas, o equipamento permaneceu desligado por mais de três dias, impedindo o monitoramento do cumprimento da medida.

Para o GAECO, as violações representam risco à ordem pública e comprometem a aplicação da lei penal, motivo pelo qual a Justiça determinou a prisão preventiva dos três.

Operação Petrorianos

A operação Petrorianos foi deflagrada em março de 2024 e teve como alvo um grupo ligado ao contraventor Rogério de Andrade, preso desde outubro daquele ano. 

Na primeira fase da ação, foram cumpridos 20 mandados de prisão e 50 de busca e apreensão.

Entre os investigados estavam 18 policiais militares da ativa e um policial penal. Ao todo, o Ministério Público denunciou 31 pessoas pelo crime de organização criminosa.

Quem é Rogério de Andrade?

Bicheiro Rogério Andrade no Carnaval do RJReprodução/Extra

Rogério Andrade , sobrinho do bicheiro Castor de Andrade , falecido em 1997, herdou o negócio de jogo do tio e atualmente explora máquinas caça-níqueis, bingos e cassinos na Zona Oeste do Rio de Janeiro, além de outras localidades no estado. Ele está envolvido em uma violenta disputa pelo legado de Castor, que resultou em assassinatos de outros herdeiros.

A primeira morte ocorreu em 1998, quando Rogério foi acusado de ser o mandante do assassinato de Paulo Andrade, filho de Castor. Embora tenha sido condenado em primeira instância, foi posteriormente absolvido.

O caso resultou na condenação de Fernando Iggnácio Miranda, genro de Castor, que foi executado em um heliponto no Recreio dos Bandeirantes em novembro de 2020. Esse assassinato levou à emissão de um mandado de prisão contra Rogério nesta terça-feira.

Em 2010, a disputa pelo controle dos negócios também resultou na morte de Diogo Andrade, filho de Rogério. O jovem, de 17 anos, dirigia o carro do pai quando uma bomba colocada no veículo explodiu. Rogério estava no carro e ficou ferido no incidente.

O MPRJ aponta Rogério de Andrade como um dos principais nomes de uma organização criminosa ligada à exploração do jogo do bicho no Rio de Janeiro. De acordo com o órgão, o grupo atua com intimidação, violência e disputas territoriais para manter suas atividades ilícitas.

Rogério de Andrade está preso desde outubro de 2024. Ele é réu em um processo que investiga o homicídio de Fernando de Miranda Iggnacio, morto em novembro de 2020, no estacionamento de um heliporto no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio.

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