“Voto de Fux refletiu parte da sociedade”, diz Barroso

Ministro Luís Roberto Barroso comentou voto de Fux em entrevista nessa segunda-feira (22)Felippe Sampaio/SCO/STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, afirmou nesta segunda-feira (22), que o voto do colega Luiz Fux no julgamento que condenou Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e outros cinco crimes “espelhou a visão de uma parte da sociedade brasileira”. As informações são do Roda Viva.

No #RodaViva, Luís Roberto Barroso rebate o voto de Luiz Fux, que defendeu que os réus buscavam a “verdade” das urnas. Barroso afirma que houve uma “desconstrução da verdade deliberada” e que as pessoas foram “mentirosamente” convencidas de uma fraude.#SomosCultura pic.twitter.com/VlH8pCCOG3

— Roda Viva (@rodaviva) September 23, 2025

Barroso disse ainda que houve uma “desconstrução da verdade deliberada” e que a população foi “mentirosamente” convencida de fraude nas eleições.

No julgamento da primeira turma do STF, Fux se manifestou contra a condenação do ex-presidente pelos crimes de organização criminosa, golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio, por cerca de 14 horas, divergindo dos demais ministros. Apesar disso, Bolsonaro foi condenado por 4 votos a 1 e recebeu pena de 27 anos e três meses de prisão pelos cinco crimes.

O ministro Fux, independente de discordância ou concordância, espelhou, e acho que talvez tenha sido bom, a visão de uma parte da sociedade brasileira”, declarou Barroso.

  • RELEMBRE: Com quase 11 horas e meia, Fux marca voto mais longo no STF.

Às vezes é bom você ter a vocalização do sentimento de todos os segmentos da sociedade. Acho que possivelmente o ministro Fux fez isso. Ele vocalizou o sentimento de uma parte da sociedade. Não quer dizer que eu concorde, mas eu não preciso concordar com as pessoas pra respeitar o direito delas terem o papel que acham que devem ter”, acrescentou o presidente do STF.

Histórico do ministro

Nascido em Vassouras (RJ), em 11 de março de 1958, Barroso é formado em Direito Constitucional pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), com mestrado na Yale Law School e pós-doutorado na Harvard Law School.

Ao longo de sua trajetória, foi procurador do estado do Rio de Janeiro e assessor jurídico da Secretaria de Justiça do Estado. Autor de diversos livros, lecionou como professor visitante nas universidades de Poitiers, na França, de Breslávia, na Polônia, e de Brasília (UnB).

Indicado por Dilma Rousseff (PT) e com histórico de defesa de liberdades civis, direitos humanos, justiça fiscal e meio ambiente, Barroso é ministro do STF desde junho de 2013, assumindo a vaga de Ayres Britto, que se aposentou à época.

Como advogado, atuou em casos relevantes, como a liberação de pesquisas com células-tronco embrionárias, a proibição do nepotismo no Judiciário, a defesa do reconhecimento de uniões homoafetivas e o direito da gestante de interromper a gravidez em caso de feto anencéfalo.

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