Crise do metanol: FHORESP propõe observatório nacional de bebidas

Itens como lacres, tampas, selos e garrafas não colecionáveis estão entre itens suspensos pela SenaconWirestock/Freepik

A Federação de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de São Paulo (FHORESP) apresentou nesta quinta-feira (23) um conjunto de medidas para aumentar a segurança do setor. O destaque é a criação do Observatório Nacional do Mercado de Bebidas, que pretende acompanhar indicadores econômicos, fiscais e sanitários, fornecendo dados em tempo real para autoridades, empresas e consumidores.

Segundo a FHORESP, o observatório seria coordenado em parceria com o Ministério da Agricultura (Mapa), Associação Brasileira de Comércio de Bebidas (ABCF), IBGE e universidades. A ideia é reunir as informações sobre produção, transporte e comercialização, possibilitando identificar irregularidades e impedir a circulação de produtos falsificados.

Ao iG, a FHORESP informou que a proposição do pacote de medidas é uma forma de reaquecer a venda de bebidas destiladas:

“O setor projeta um faturamento de R$668 bilhões para este ano”.

A iniciativa da FHORESP vem no mesmo dia em que a crise do metanol fez sua décima vítima fatal. O estado de São Paulo concentra a maior parte das ocorrências, com 42 casos confirmados e sete óbitos. 

No início de outubro, o governador Tarcísio de Freitas anunciou a criação de um gabinete de crise para fechar bares e restaurantes que vendessem bebidas adulteradas e desbaratar quadrilhas de falsificadores. 

Outras medidas 

A proposta faz parte de um pacote de 10 medidas que incluem a criação de um Sistema Nacional de Rastreabilidade e Controle de Bebidas, usando tecnologias como QR Code e blockchain para que consumidores possam verificar a procedência de cada lote. Outra ação é o Selo Nacional de Conformidade em Bebidas, que certifica bares, restaurantes e distribuidores que seguem práticas seguras de armazenamento e comercialização.

A federação também propõe a ideia de uma força-tarefa permanente com participação da Polícia Federal, Anvisa, Mapa e secretarias estaduais, além de tecnologias portáteis de detecção rápida de metanol e inspeções não invasivas da qualidade das bebidas.

O pacote ainda prevê campanhas educativas, endurecimento das penalidades para crimes de adulteração e falsificação, cooperação internacional para troca de boas práticas e incentivo à economia reversa, com logística para reciclagem de garrafas e certificação de empresas que cumprirem metas ambientais.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.