Comunidades protestam contra instalação de aterro sanitário no Acará para atender região metropolitana de Belém


Protesto interdita Alça Viária contra instalação de aterro para atender região metropolitana de Belém.
Reprodução
Moradores de comunidades tradicionais, quilombolas e comerciantes iniciaram um protesto contra a instalação de um aterro sanitário na região “Castanhalzinho”, uma área de mata no Baixo Acará, para receber os resíduos sólidos da região metropolitana de Belém. A manifestação começou na altura do km 32 do Complexo Alça Viária por volta das 6h.
Segundo os manifestantes, o protesto é contra uma determinação do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) favorável à implantação do aterro na cidade de Acará.
O imbróglio existe desde que o aterro de Marituba, responsável por receber os resíduos sólidos de Belém, Ananindeua e Marituba, foi suspenso pela Justiça, devido aos impactos sociais e ambientais.
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O parecer é assinado pelo desembargador Luiz Gonzaga Neto, que, com base em parecer favorável do Ministério Público do Pará (MPPA) e em perícia judicial, decidiu pela retomada do processo de licenciamento ambiental, proposto pela empresa Ciclus Amazônia, revertendo um arquivamento antes decidido pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), responsável pela possível liberação. Ainda segundo a comunidade, a secretaria havia constatado a inviabilidade ambiental do local pretendido para instalação.
“Essa decisão viola a autonomia técnica do órgão licenciador e coloca em risco a credibilidade do processo de licenciamento ambiental no Pará, uma vez que não há indícios de má-fé ou vício técnico que justifiquem a anulação do parecer da Semas. Trata-se de uma medida questionável, que favorece interesses empresariais em detrimento da coletividade e que aumenta a tensão social nas comunidades diretamente afetadas”, afirmam as comunidades em nota.
Para os manifestantes, a instalação “ameaça destruir a economia local, comprometer a qualidade da água e degradar o meio ambiente, colocando em risco toda uma forma de vida baseada na harmonia com a natureza”.
O que diz a empresa
Responsável atualmente pela operação na região metropolitana, a empresa Ciclus Amazônia disse “que o processo de licenciamento da Central de Tratamento de Resíduos no Acará está em fase de análise pelos órgãos competentes” e que “todos os estudos técnicos e legais apresentados demonstram que o empreendimento está bem estruturado e cumpre rigorosamente as exigências ambientais e legais”.
“É importante destacar que o projeto é estruturado para promover uma solução para os resíduos da região, a qual será regulada, pública e reversível, bem como utilizará das melhores práticas de engenharia e seguirá todas as normas técnicas voltadas para o tratamento e valorização dos resíduos, garantindo a segurança ambiental e sanitária, tornando-se uma solução definitiva ao problema que assola há décadas a região metropolitana”, afirmou.
Ainda segundo a concessionária, a empresa “reforça o compromisso com o diálogo, o cumprimento da legislação e a transparência, estando à disposição para esclarecer dúvidas junto aos órgãos competentes, lideranças e comunidades”.
O que dizem as autoridades
A Prefeitura de Belém disse que “os estudos de impacto ambiental foram aceitos pelo órgão ambiental ao Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas)” e que o “o projeto não incide em nenhuma área habitada”.
“Todo o processo de licenciamento segue a legislação ambiental, realizado de forma correta e dentro das normas como determinam os órgãos de fiscalização, compreendendo projeto civil, diagnóstico ambiental, social da área de influência do projeto, bem como programas e controles ambientais”, afirmou a prefeitura.
O g1 também solicitou posicionamento da Semas, responsável pelo licenciamento; e das prefeituras de Ananindeua, Marituba e Acará, mas ainda não havia obtido retorno até a última atualização da reportagem.
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