“Não aguento mais esse terror”: medo segue no Rio após operação

RJ: moradores levam dezenas de corpos para praça da PenhaReprodução X/ @RenatoSilva15_

A cidade do Rio de Janeiro amanheceu em normalidade nesta quarta-feira (29), um dia após a megaoperação policial que, até o momento, é a mais letal da história do estado, que deixou pelo menos 64 óbitos confirmados. Apesar do retorno à rotina e da liberação total das vias, muitos moradores continuam com medo de sair de casa.

  • Veja mais: Moradores levam dezenas de corpos para praça da Penha (RJ)

“Saindo de casa para trabalhar, espero que o RJ não dê ruim hoje de novo, eu não vou aguentar esse terror novamente”, escreveu uma moradora nas redes sociais. Veja outros relatos:

Depois de ontem ser quase pisoteada na central e no trem, devido esse caos no RJ, resolvi hj não sair de casa 🫠. Apesar de “parecer ter normalizado” o trânsito, tô com medo de mais tarde acontecer algum caos dnv pra voltar

— Crazy Jane (@barbaratika) October 29, 2025

simplesmente nao sei como vou trabalhar
o medo de milhões
enfim o rj

— vivi do ji (@jjisungstars_) October 29, 2025

Medo de sair na rua, morar no rj é um caos

— Jessica gabriela (@jessydacoca) October 29, 2025

Estou saindo do conforto do meu mato para ir para um ambiente tomado pelo caos do RJ para trabalhar, pois não cancelaram as aulas. Mais um dia normal no RJ 👍

— yas 🥇 (@simonemusics) October 29, 2025

Retorno à normalidade

Às 6h, o Centro de Operações e Resiliência (COR) da prefeitura informou que o município retornou ao estágio 1, o menor em uma escala de cinco, que indica “ausência de ocorrências de grande impacto”. 

Ainda segundo o órgão, todos os meios de transporte – ônibus, VLT, BRT, metrô, trens e barcas – operam normalmente nesta manhã.

Durante a madrugada, as ruas que ainda estavam interditadas foram liberadas. A última foi a autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, que liga as zonas Norte e Oeste, passando pelo Complexo do Lins, desbloqueada por volta das 2h45. Na véspera, 35 ruas haviam sido bloqueadas por criminosos em represália à operação, com veículos e materiais incendiados.

Na terça, a cidade registrou o estágio 2 de atenção devido às interdições e da paralisação de linhas de transporte. Mais de 200 rotas de ônibus foram interrompidas e 71 coletivos foram usados como barricadas. No fim do dia, o fluxo de trabalhadores que tentou voltar para casa causou a superlotação dos transportes públicos.

Operação mais letal da história do estado

A operação conjunta das Polícias Civil e Militar mirava a cúpula do Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha. Pelo menos 81 pessoas foram presas.

Entre os mortos, estão quatro policiais. Na madrugada desta quarta, moradores da Penha levaram mais 64 corpos à Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, que ainda não foram contabilizados no balanço oficial, conforme informou o secretário da PM, coronel Marcelo de Menezes Nogueira ao g1. Por isso, o número total de mortos pode chegar a 100 caso a perícia confirme relação com a ação de ontem.

Segundo o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF), essa foi a operação mais letal registrada no Rio desde 1990, com mais que o dobro de mortos da ação no Jacarezinho, em 2021, que deixou 28 óbitos.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.