Mulher fica com mãos e pés dormentes após injetar caneta emagrecedora vendida de forma ilegal: ‘Achei que iria morrer’


Apreensão de remédios para emagrecer cresce e preocupa autoridades de saúde
Uma mulher de 41 anos, moradora de São José do Rio Preto (SP), ficou com as mãos e os pés dormentes e teve taquicardia após injetar uma caneta emagrecedora vendida de forma ilegal no país e sem prescrição médica. O caso ocorreu em dezembro do ano passado.
Ao g1, a mulher, que não vai ser identificada, contou que comprou a caneta de lipoless pelas redes sociais, através do perfil de outra mulher, com promessa de resultados rápidos e “milagrosos” nos anúncios. As quatro ampolas vieram do Paraguai e estavam embaladas em uma caixa.
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Sem indicação e sem avisar a família, a mulher tomou uma única dose da medicação, de 5 ml, no dia 3 de dezembro. Os sintomas começaram a aparecer horas depois. Entre eles, náusea, fraqueza, dor de cabeça, respiração ofegante, mãos e pés com formigamento e taquicardia.
Canetas emagrecedoras devem ser aplicadas com indicação médica
Reprodução/TV TEM
Depois, ela foi encaminhada ao hospital, onde fez exame eletrocardiograma e foi medicada. A paciente não precisou ser internada, mas lembra do susto e da certeza de que iria morrer. Ela recebeu alta, e o estado de saúde melhorou. “Eu sempre fui gordinha, mas você começa a ver nas redes sociais que as pessoas estão tomando e está fazendo efeito. Elas vão na academia e tem aquele corpo definido. A gente quer aquilo também. Pensei: ‘Por que não tentar? Com todo mundo está dando certo, comigo também vai dar’”, lembra a mulher.
“Achei que iria morrer. Fiquei com muito medo. Não podemos confiar nas pessoas, mesmo nas que conhecemos, não sabemos a procedência, devemos sempre buscar orientação médica, nossa saúde é tudo, não vale a pena colocar a vida em risco pela busca de resultados rápidos”, concluiu a mulher.
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Risco
À TV TEM, o endocrinologista Flávio Pirozzi, que é vice-presidente da Associação Brasileira de Diabetes em São Paulo, alertou para o risco de comprar remédios sem procedência e fazer as aplicações sem acompanhamento médico.
O princípio ativo de uma dessas medicações é a tirzepatida. A venda não é proibida no Brasil, mas a comercialização e uso são restritos.
O medicamento original é aprovado para diabetes tipo 2 e exige receita médica, enquanto a Anvisa proibiu a importação e venda de canetas irregulares sem registro, sendo a maioria produzida no Paraguai.
Endocrinologista Flávio Pirozzi, que é vice-presidente da Associação Brasileira de Diabetes em São Paulo
Reprodução/TV TEM
Segundo o médico, quando indicadas por um médico, as canetas emagrecedoras podem contribuir para o tratamento da obesidade, mas o uso indiscriminado e a compra de revendedores não autorizados são perigosos.
“Quando a pessoa usa uma medicação que é manipulada ou contrabandeada, ela coloca em risco a própria saúde, porque aquela substância que ela está aplicando no corpo é algo que não sabemos qual é a procedência”, explica o médico.
Somente no ano passado, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu, no estado de São Paulo, 17.890 canetas e ampolas contrabandeadas. Só nos primeiros 15 dias deste ano, foram apreendidas quase mil unidades dessas medicações nas rodovias no noroeste paulista.
Ampolas de tirzepatida apreendidas na BR-153 em São José do Rio Preto (SP)
Reprodução / PRF
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