
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou neste sábado (24) impor uma tarifa de 100% sobre todos os produtos canadenses que entrarem no mercado estadunidense caso o Canadá avance em um acordo comercial com a China.
A declaração foi feita após o primeiro-ministro canadense Mark Carney visitar Pequim para negociar a redução de tarifas chinesas sobre a canola canadense em troca da entrada de carros elétricos chineses no país.
Em publicação na plataforma Truth Social, Trump afirmou que o Canadá não será usado como rota indireta para a entrada de produtos chineses nos Estados Unidos.
“Se o governador Carney pensa que vai transformar o Canadá em um ‘porto de descarga’ para a China enviar mercadorias e produtos para os Estados Unidos, está muito enganado”, escreveu Trump.
Segundo o líder estadunidense, um acordo entre Ottawa e Pequim levaria à imposição imediata de uma tarifa de 100% sobre “todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos Estados Unidos”.
Negociação com a China
A visita de Carney à China resultou no que ele descreveu como um acordo comercial “preliminar, mas histórico”, em um movimento para reposicionar o país em um cenário internacional que classificou como uma “nova ordem mundial”, segundo o The Guardian.
Durante a agenda em Pequim, Canadá e China anunciaram um acordo provisório que permite a entrada de até 49 mil veículos elétricos chineses no mercado canadense e a redução das tarifas chinesas sobre produtos canadenses como canola, lagosta, frutos do mar e ervilhas, com vigência prevista de março até o fim do ano.
Trump reagiu de forma dura à possibilidade de aproximação econômica entre os dois países e afirmou que a China “devoraria o Canadá”, com impactos diretos sobre empresas, estrutura social e modo de vida do país.
“A última coisa de que o mundo precisa é a China assumir o controle do Canadá. Isso não vai acontecer, nem chegar perto de acontecer”, escreveu o presidente estadunidense.
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Retirada de convite diplomático
Na última quinta-feira (22), Trump retirou o convite feito ao Canadá para integrar o chamado Conselho da Paz, iniciativa anunciada durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, com o objetivo e atuar na mediação de conflitos globais.
A decisão foi comunicada por Trump em uma publicação direcionada ao primeiro-ministro canadense, Mark Carney, na Truth Social. “Que esta carta sirva para representar que o Conselho da Paz está retirando o convite feito ao senhor para que o Canadá se junte, em qualquer momento, ao que será o mais prestigioso Conselho de Líderes já reunido”, escreveu.
Lançado por Trump em Davos, o Conselho da Paz foi apresentado como “um dos órgãos mais consequentes já criados na história do mundo” e seria presidido pelo próprio presidente.
Inicialmente descrito como um grupo temporário, o conselho teria como uma de suas atribuições acompanhar a governança e a reconstrução da Faixa de Gaza. Segundo Trump, países com assento permanente deveriam contribuir com US$ 1 bilhão cada, o equivalente a cerca de R$ 5 bilhões, pela cotação atual.
A retirada do convite ocorreu após uma troca pública de declarações entre Trump e Carney durante o encontro em Davos. Em discurso, o premiê canadense afirmou que houve uma “ruptura” na antiga ordem internacional baseada em regras, atribuída ao comportamento agressivo do presidente estadunidense.
Trump respondeu dizendo que “o Canadá vive por causa dos Estados Unidos”, ao que Carney rebateu dizendo que “O Canadá não vive por causa dos Estados Unidos. O Canadá prospera porque somos canadenses”.
