
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou na madrugada deste domingo (22) que acredita ter tomado as decisões corretas no acordo relacionado ao tarifaço negociado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo Lula, a condução do diálogo entre os dois países foi bem-sucedida graças à postura cautelosa adotada pelo governo brasileiro, que evitou decisões precipitadas durante as negociações.
“Nós tomamos as decisões com muita cautela. Todos vocês sabem que eu tenho, na minha cabeça, a ideia de não tomar nenhuma decisão quando eu tô com 39° de febre. Tem que esperar a febre passar para a gente tomar a decisão. E eu acho que nós tomamos as decisões corretas. Alguma parte das coisas negativas foi mudada pelo próprio governo americano. E agora nós tivemos a decisão da Justiça americana, que tomou outra decisão, contrariando aquilo que era a tese do presidente Trump”, disse Lula, em entrevista coletiva concedida em Nova Delhi.
A declaração ocorreu após a Suprema Corte dos Estados Unidos decidir que Trump extrapolou sua autoridade ao impor tarifas de forma unilateral a outros países. Na avaliação do Congresso norte-americano, esse tipo de medida exigiria autorização prévia dos parlamentares.
Como resposta à decisão judicial, Trump anunciou a ativação da Seção 122 da Lei de Comércio, mecanismo que permite a aplicação de tarifas temporárias de até 15% por um período máximo de 150 dias.
O presidente brasileiro preferiu não comentar diretamente a medida adotada pelo governo norte-americano. “Obviamente, não posso julgar a decisão da Suprema Corte de um país. Não julgo a do meu, muito menos a de outro país”, afirmou Lula.
Diálogo com os EUA
Durante a entrevista, Lula também mencionou o encontro que terá com o presidente norte-americano em março deste ano. Ele afirmou que pretende tratar de uma agenda ampla, destacando a longa trajetória diplomática entre os dois países.
“A pauta que quero conversar com o presidente Trump é muito mais ampla do que minerais críticos”, disse.
O presidente disse que pretende discutir a relação bilateral de forma responsável, com ênfase no fortalecimento da democracia, no combate ao crime organizado e na ampliação de parcerias econômicas. Ele destacou, no entanto, que o Brasil busca mudar o modelo de exploração de recursos naturais. “Nós agora queremos transformar no Brasil”, afirmou, ao defender maior agregação de valor à produção nacional.
Lula também citou temas como comércio, parcerias universitárias, a situação de brasileiros que vivem nos Estados Unidos e a retomada de investimentos americanos no país. Por fim, afirmou esperar que o encontro contribua para restabelecer uma relação “altamente civilizada” entre os dois países.
“Eu espero que, depois dessa reunião, a gente possa estar garantido de que voltou a ter uma relação altamente civilizada, altamente respeitosa e que a gente não vai deixar de conversar por telefone quando tiver qualquer novidade entre Brasil e Estados Unidos. E eu quero também dizer para o presidente que nós não queremos uma nova Guerra Fria. Nós não queremos ter preferência por nenhum país, sabe? Nós queremos ter relações iguais com todos os países”, ressaltou.
