
O Exército de Israel bombardeou nesta terça-feira (03) o prédio da Assembleia dos Peritos do Irã, na cidade de Qom, onde os 88 aiatolás que compõem o órgão estariam reunidos para escolher o novo líder supremo do país. As informações são do The Jerusalem Post.
Todos os integrantes da assembleia estavam no local no momento do bombardeio, segundo o The Jerusalem Post. Até a última atualização, não havia confirmação oficial sobre mortos ou feridos.
O ataque ocorreu poucos dias após a morte do aiatolá Ali Khamenei, anunciada pelo governo iraniano no sábado (28). A morte foi divulgada horas após ofensivas coordenadas de Israel e dos Estados Unidos contra o território iraniano.
- SAIBA MAIS: “Ação rápida e decisiva”, diz Netanyahu sobre conflito com Irã
Complexo presidencial também foi atingido
Ainda nesta terça-feira, Israel informou ter bombardeado o complexo presidencial iraniano e a sede do Conselho Supremo de Segurança Nacional, ambos localizados em Teerã, capital do Irã.
Em comunicado oficial, o Exército declarou que a Força Aérea “atacou e desmantelou instalações dentro do complexo da liderança do regime iraniano no coração de Teerã”.
Segundo a nota, foram atingidos o prédio onde ocorre a reunião do principal órgão responsável por decisões de segurança do país, uma instituição voltada à formação de oficiais militares e outras estruturas consideradas estratégicas, ou seja, essenciais para o funcionamento do governo e das Forças Armadas.
Até a última atualização, o governo do Irã não havia divulgado posicionamento oficial sobre os bombardeios na capital.
O que é a Assembleia dos Peritos
A Assembleia dos Peritos é o órgão do Irã responsável por supervisionar o líder supremo, autoridade máxima do país, oficialmente chamada de rahbar, palavra em persa que significa “líder”, segundo a enciclopédia Britannica.
O órgão foi criado após a Revolução Islâmica de 1979, inicialmente para ajudar na elaboração da nova Constituição. Pouco depois, foi dissolvido e, em 1983, voltou a funcionar com uma função específica de escolher o líder supremo e avaliar se ele continua apto a exercer o cargo.
Na prática, embora tenha a função de fiscalizar o líder supremo, a assembleia é composta majoritariamente por religiosos alinhados ao próprio governo. Até hoje, o órgão nunca contestou publicamente decisões do chefe máximo do regime.
Os integrantes são eleitos diretamente pela população a cada oito anos. Atualmente, são 88 cadeiras. Para se candidatar, é necessário comprovar conhecimento profundo da lei islâmica, chamada de fiqh, que é o conjunto de interpretações jurídicas do islamismo, por meio de exames específicos.
Além disso, os candidatos precisam ser aprovados pelo Conselho dos Guardiães, órgão que supervisiona as eleições no país. Como o líder supremo indica parte dos membros desse conselho, ele exerce influência indireta sobre quem pode ou não disputar as vagas, o que pode limitar a participação de candidatos críticos ao governo.
