Estupro coletivo no RJ: pai de envolvido perde cargo no governo

Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18 anos, é um dos investigados por estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos em CopacabanaDivulgação/Disque Denúncias

O subsecretário José Carlos Simonin foi exonerado nesta terça-feira (03) de seu cargo na Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro.

Simonin é pai de Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, um dos quatro suspeitos de participação em um estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos em Copacabana, na Zona Sul da cidade.

A secretaria informou que a medida administrativa visa “resguardar a integridade institucional e assegurar a condução responsável dos fatos noticiados“, e que as investigações seguem sob responsabilidade das autoridades competentes.

A Pasta reafirma seu compromisso com a dignidade humana e a preservação da vida“, finalizou a nota da secretaria.

O pai do suspeito é advogado e ocupava o cargo de Subsecretário de Governança, Compliance e Gestão Administrativa da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos.

Simonin também integra conselhos voltados à assistência social e ao desenvolvimento econômico, incluindo o Conselho Gestor do Fundo de Combate à Pobreza e às Desigualdades Sociais (FECP) e o Conselho Estadual de Assistência Social (CEAS/RJ).

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Suspeitos se apresentam à polícia

Dois dos acusados se entregaram nesta terça-feira. Mattheus Verissimo Zoel Martins compareceu à delegacia pela manhã, enquanto João Gabriel Xavier Bertho se apresentou no início da tarde.

Segundo o delegado Angelo Lages, titular da 12ª Delegacia de Polícia, a expectativa é que os outros dois suspeitos se entreguem até quarta-feira (04). 

As defesas optaram por manter os clientes em silêncio, com depoimentos a serem prestados apenas em juízo.

Além dos quatro adultos, um adolescente também é apontado como envolvido e aguarda decisão da Justiça da Infância e da Juventude sobre eventual internação. O delegado informou que “ele está aguardando uma posição da Justiça em relação à internação. Neste momento, não é considerado foragido, porque são processos distintos”.

Novas vítimas

A polícia investiga relatos de outras vítimas. Uma jovem afirmou que sofreu abuso em 2023 e que teria sido filmada, possivelmente como forma de intimidação. Outra adolescente procurou a delegacia nesta terça-feira e afirmou ter sido abusada pelo mesmo grupo.

Segundo o delegado, os crimes seguem um padrão semelhante, com aproximação prévia, construção de confiança e condução da vítima a um imóvel onde ocorria a violência.

O delegado Lages afirmou que o crime foi premeditado e que a vítima acreditava encontrar apenas um dos envolvidos, com quem estudava, sendo surpreendida por outros quatro homens.

As investigações apontam que não houve qualquer sinal de consentimento. Não tivemos dúvida quanto à tipificação da conduta”, disse o delegado.

Exames de corpo de delito confirmaram a compatibilidade com os relatos das vítimas, e imagens dos suspeitos entrando e saindo do imóvel reforçam as provas.

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos, e a polícia continua apurando a eventual participação de outros envolvidos.

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