
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), onde atua o ministro Dias Toffoli, julgará na semana que vem, se mantém a prisão preventiva do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco do Master, decretada pelo ministro André Mendonça nesta quarta-feira (4).
A dúvida é se Toffoli deveria participar do julgamento, pois ainda pairam suspeitas sobre negócios particulares que ele teria feito com o Master – instituição liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central (BC), em novembro do ano passado, e que deixou um rombo de quase R$ 50 bilhões.
Polêmicas
Toffoli atuou como relator do inquérito policial sobre o Master no STF de dezembro de 2025 até fevereiro deste ano.
Foi uma atuação marcada por polêmicas.
Os questionamentos em torno de sua relatoria começaram assim que ele assumiu a investigação no STF, adotando uma postura centralizadora.
Uma de suas primeiras medidas foi levar para o seu gabinete o processo que tramitava na primeira instância da Justiça Federal do Distrito Federal.
Jatinho
Ainda no início de sua relatoria, o ministro pegou carona em um jatinho de um empresário (Luiz Pastore) para assistir à final da Copa Libertadores, em Lima, no Peru.
E o que já seria inadmissível (um ministro do STF aceitar carona num avião de um empresário) ficou ainda mais estranho, porque no mesmo vôo estava Augusto Arruda Botelho, advogado de defesa de um dos diretores do Master.
Resort
Na sequência, Toffoli admitiu ser sócio no resort Tayayá, empreendimento milionário instalado em Rio Claro, no Paraná, investigado pela PF por ter sido negociado por um fundo de investimentos ligado ao Banco Master.
Mesmo assim, em meio a pressões e várias outras polêmicas, Toffoli resistiu como relator do inquérito sobre o Master no STF até fevereiro deste ano.
Pressionado, o ministro acabou deixando a relatoria depois que seu nome apareceu em mensagens encontradas no celular de Vorcaro, que teve o aparelho apreendido durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) no final do ano passado.
Ao deixar o caso, Toffoli negou todas as suspeitas e disse que sua saída se dava por “interesses institucionais”.
Sessão virtual
A prisão preventiva de Daniel Vorcaro será analisada na sexta-feira (13) em sessão virtual da 2ª Turma.
Além de Dias Toffoli e André Mendonça, o colegiado é composto pelos ministros Gilmar Mendes, Luiz Fux e Nunes Marques.
