Organograma do PCC revela quem são os “decretados” após racha

Veja quem são os ‘decretados’ no novo organograma do PCCArte iG

Um novo organograma elaborado pelo Departamento de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo (Dipol) traça a configuração atual da hierarquia do Primeiro Comando da Capital (PCC) e identifica não apenas seus integrantes ativos, mas também ex-membros que foram afastados da organização após uma ruptura interna com o principal líder da facção, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.

Esses dissidentes são classificados internamente como “decretados”, termo usado para designar integrantes expulsos da facção e que passam a ser jurados de morte. Segundo o levantamento do Dipol, todos os nomes incluídos nessa categoria no novo organograma encontram-se presos.

A seguir, veja quem são os integrantes apontados como “decretados” pela inteligência da Polícia Civil.

1. Abel Pacheco de Andrade

Abel Pacheco de Andrade, conhecido como “Vida Loka”Reprodução/redes sociais

O preso Abel Pacheco de Andrade, conhecido como “Vida Loka”, teria sido “decretado” pela facção após o racha interno envolvendo o Marcola. Segundo investigações, Andrade acusou o principal líder do grupo de ter atuado como “delator”, o que teria motivado sua exclusão e a ruptura definitiva com a antiga cúpula.

Antes do rompimento, ele já teria ocupado posições de destaque na estrutura interna, com atuação na chamada Sintonia dos Gravatas e na Sintonia Final Geral, instância considerada a mais alta hierarquia da organização.

Apontado como de altíssima periculosidade, acumula registros criminais por latrocínio, associação criminosa, tortura, roubo, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Mesmo custodiado, é citado em investigações como responsável por ordenar execuções de rivais. Ao longo do cumprimento de pena, passou por quatro unidades do sistema penitenciário federal.

2. ⁠Daniel Vinícius Canonico

Daniel Vinícius Canonico, conhecido como “Cego”Reprodução/redes sociais

Daniel Vinícius Canonico, conhecido como “Cego”, foi ameaçado de morte e afastado da Sintonia Final Geral do PCC após defender a morte dos assassinos de dois integrantes da facção que foram executados em uma emboscada depois de roubarem a própria organização criminosa em remessas de cocaína que saíria do Porto de Santos, em São Paulo, para outros continentes. 

Os autores do assassinato foram perdoados pelo Marcola, mas “Cego” foi contra o perdão e acabou sendo afastado e decretado da facção. 

3. ⁠Roberto Soriano 

Roberto Soriano, conhecido como “Tiriça”Reprodução/redes sociais

Roberto Soriano, conhecido como “Tiriça”, figura entre os principais nomes do racha que atingiu a cúpula do PCC. Ele e Abel Pacheco de Andrade, o Vida Loka, foram responsáveis por decretar, em um “salve”, a exclusão e a sentença de morte de Marcola, acusado de traição, má conduta e “caguetagem”, infrações consideradas gravíssimas dentro da facção.

A ruptura se intensificou após a divulgação de áudios interceptados nos quais Marcola atribui a Tiriça a responsabilidade pela morte do agente federal de execução penal Alex Belarmino de Almeida Silva, assassinado em 2016, em Cascavel (PR). A fala foi interpretada por outros integrantes como delação interna, o que violaria as regras do grupo e reforçaria as acusações feitas contra o então líder máximo.

Os áudios também trouxeram declarações em que Marcola relembra sua atuação durante a rebelião de 2001 na penitenciária de Taubaté, afirmando ter proximidade com o então diretor da unidade e dizendo que chegou a “administrar a penitenciária”. As declarações foram mal recebidas por antigos aliados e acabaram aprofundando a cisão entre as principais lideranças históricas da organização criminosa.

Soriano já foi condenado como mandante do homicídio do agente penitenciário federal Alex Belarmino de Souza, ocorrido no Paraná, e também pelo assassinato qualificado de Melissa Almeida, psicóloga da penitenciária federal de Catanduvas.

4. ⁠Valdeci Alves dos Santos 

Valdeci Alves dos Santos, conhecido como “Colorido”Reprodução/redes sociais

Valdeci Alves dos Santos, conhecido como “Colorido”, ganhou projeção dentro do PCC enquanto permanecia foragido da Justiça. Preso em 16 de abril de 2022 durante uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal no sertão de Pernambuco, ele estava fora do sistema prisional havia mais de sete anos, após não retornar de uma saída temporária do Dia dos Pais concedida quando cumpria pena no regime semiaberto no Centro de Progressão Penitenciária de Valparaíso (SP), onde respondia por tráfico de drogas e homicídio.

Durante o período em liberdade, Colorido ascendeu na hierarquia da organização e chegou a ocupar a posição de principal liderança nas ruas, tornando-se o número dois fora do sistema carcerário. A ascensão, no entanto, terminou após ele ser “decretado” por Marcos Herbas Camacho, em meio ao racha interno da facção, sob a acusação de desvio de recursos.

Segundo investigações do Ministério Público de São Paulo, Colorido teve papel central na logística do tráfico internacional, articulando o envio de drogas para a Europa a partir do Porto de Santos. Entre 2018 e 2019, ele teria ajudado a movimentar cerca de R$ 1 bilhão em recursos da organização criminosa.

As apurações também indicam que, para ocultar o dinheiro obtido com o tráfico, ele investiu em patrimônio de alto valor, incluindo fazendas, criação de gado, imóveis e a aquisição de sete igrejas evangélicas nos estados de São Paulo e Rio Grande do Norte. Parte de sua atuação ocorreu fora do país, com passagens prolongadas pela Bolívia e pelo Paraguai, regiões estratégicas para o fornecimento e a entrada de entorpecentes no Brasil.

Colorido já havia sido condenado a 20 anos de prisão no início dos anos 2000 e acumula sentenças por homicídio, tráfico de drogas e uso de documento falso, anteriores às investigações mais recentes por lavagem de dinheiro. Recentemente, voltou ao noticiário após ser acusado de ocultar cerca de R$ 23 milhões provenientes do narcotráfico por meio desses investimentos.

5. ⁠Wanderson Nilton Paula Lima 

Wanderson Nilton de Paula Lima, conhecido como “Andinho”Reprodução/redes sociais

Wanderson Nilton de Paula Lima, conhecido como “Andinho”, está preso desde fevereiro de 2002 e acumula uma das maiores penas já impostas pela Justiça paulista. Em 2021, ele foi condenado a mais 12 anos de prisão por associação a organização criminosa, elevando o total de suas condenações para 717 anos de reclusão.

Andinho é acusado de envolvimento no assassinato do então prefeito de Campinas, Toninho do PT, ocorrido em 2001. Ao longo dos anos, recebeu condenações por uma série de crimes, entre eles sequestros, homicídios, roubos, tráfico de drogas, formação de quadrilha e associação criminosa.

De acordo com denúncia do Ministério Público de São Paulo, mesmo encarcerado, Andinho teria continuado a exercer influência criminosa. Em conjunto com alguns colegas de cela, ele teria redigido bilhetes dentro da prisão com ordens direcionadas a comparsas em liberdade. As mensagens determinavam o mapeamento da rotina e dos endereços de agentes penitenciários, com a orientação de que as execuções fossem simuladas como assaltos, a fim de despistar as investigações.

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