Movimento das placas tectônicas pode fechar Estreito de Gibraltar

GibraltarDivulgação/Gibraltar Rock Tours

O Estreito de Gibraltar, faixa de mar que separa Europa e África e conecta o oceano Atlântico ao mar Mediterrâneo, pode desaparecer no futuro distante. O motivo está no movimento das placas tectônicas que se encontram justamente nessa região.

Hoje, essa movimentação é quase imperceptível. As placas africana e eurasiática avançam poucos centímetros por ano. Mesmo assim, esse deslocamento contínuo acumula pressão no interior da crosta terrestre.

Em termos simples, as duas placas estão sendo empurradas uma contra a outra.

Quando isso acontece por milhões de anos, a crosta começa a se deformar. Em alguns casos, uma das placas acaba cedendo e mergulha sob a outra, afundando lentamente em direção ao interior da Terra.

Esse processo consome o fundo do oceano pouco a pouco. É assim que oceanos inteiros podem desaparecer na escala do tempo geológico.

O que está acontecendo sob Gibraltar

No caso do estreito, os cientistas observam uma estrutura chamada arco de Gibraltar. Ela fica no fundo do mar, entre o sul da Espanha e o norte do Marrocos, exatamente onde as duas placas se encontram.

Essa área já apresenta sinais claros de compressão. Em outras palavras, as placas continuam empurrando uma contra a outra. Isso não significa que algo vai acontecer agora. Mas significa que energia está sendo acumulada ali.

Simulações geológicas indicam que esse arco pode voltar a se mover de forma mais intensa depois de um longo período de relativa estabilidade. Se isso ocorrer, a estrutura pode começar a avançar lentamente em direção ao Atlântico.

Esse deslocamento abriria espaço para um novo sistema tectônico na região. Em termos simples: uma placa começaria a afundar sob a outra.

Mudança levaria milhões de anos

Nada disso acontece rapidamente. Mesmo nos cenários mais acelerados, qualquer alteração significativa levaria milhões de anos para se tornar visível. Algumas estimativas apontam algo em torno de 20 milhões de anos para mudanças mais claras na região.

Esse tipo de transformação faz parte de um fenômeno conhecido na geologia como ciclo de Wilson. É o processo que explica como oceanos nascem, crescem e eventualmente desaparecem.

O planeta já passou por isso várias vezes. Oceanos que existiam no passado foram sendo consumidos lentamente pelo movimento das placas.

Região já produziu grandes terremotos

Apesar de as mudanças geológicas serem lentas, a região já mostrou que pode liberar energia de forma violenta.

Um dos exemplos mais conhecidos foi o terremoto de Lisboa, em Portugal, em 1755. O tremor destruiu grande parte da cidade e gerou um tsunami que atingiu várias áreas da costa europeia.

Eventos desse tipo acontecem porque as placas continuam se movendo, mesmo quando o deslocamento parece pequeno. A pressão se acumula durante longos períodos. E, às vezes, ela se libera de uma vez.

A possibilidade de avanço do arco de Gibraltar foi analisada em simulações feitas por pesquisadores de universidades europeias. O trabalho foi publicado na revista científica Geology.

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