Quais armamentos são utilizados pelo Irã contra os EUA e Israel?

Bandeira do IrãReprodução/ Pixabay

No último sábado (28), uma ofensiva de grande escala marcou a ação conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irã. O governo norte-americano, por meio do presidente Donald Trump (Republicanos), justificou o ataque como uma medida necessária para “defender o povo americano” diante de supostos riscos nucleares representados pelo Irã.

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A operação, intitulada “Epic Fury” (Fúria Épica), ocorreu em meio às negociações entre Washington e Teerã sobre o programa nuclear iraniano e resultou na morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei.

Em resposta, o governo iraniano lançou ataques contra Israel e instalações militares associadas aos Estados Unidos na região, incluindo bases localizadas em países do Golfo que abrigam forças americanas. A ofensiva foi apresentada por Teerã como uma retaliação direta.

Arsenal de guerra iraniano

A força de mísseis é um dos pilares da estratégia militar iraniana. Analistas de defesa a consideram a maior e mais diversificada do Oriente Médio, reunindo mísseis balísticos e de cruzeiro capazes de ampliar o alcance estratégico de Teerã, mesmo na ausência de uma força aérea moderna.

Para as autoridades iranianas, o programa de mísseis funciona como a principal base de dissuasão do país, especialmente porque a aviação militar ainda depende de aeronaves antigas.

Já governos ocidentais afirmam que esse arsenal contribui para a instabilidade regional e poderia, no futuro, servir como plataforma de lançamento para armas nucleares. O Irã rejeita essa acusação.

A seguir, conheça alguns dos principais armamentos utilizados pelo Irã nesse confronto, segundo o Al Jazeera.

Mísseis de curto alcance

Míssil Qiam 1Reprodução/ Wikimedia Commons

Os mísseis balísticos de curto alcance, com alcance aproximado entre 150 e 800 quilômetros, são projetados para atingir alvos militares próximos e executar ataques regionais rápidos.

Entre os principais sistemas estão variantes da família Fateh, como Zolfaghar e Qiam-1, além dos modelos mais antigos Shahab-1 e Shahab-2.

O alcance reduzido pode representar uma vantagem em situações de crise, pois permite disparos em sequência com menor tempo de aviso, dificultando a interceptação por sistemas de defesa.

Mísseis de médio alcance

Míssil de médio alcance KhorramshahrReprodução/ Wikimedia Commons

Os mísseis balísticos de médio alcance, atingem aproximadamente entre 1.500 e 2.000 quilômetros. Sistemas como Shahab-3, Emad, Ghadr-1, Khorramshahr e Sejjil formam a base dessa capacidade, além de projetos mais recentes, como Kheibar Shekan e Haj Qassem.

O Sejjil se destaca por utilizar combustível sólido, o que permite um tempo de preparação e lançamento mais rápido em comparação com modelos movidos a combustível líquido.

Esse conjunto de armamentos amplia a capacidade estratégica do Irã e coloca Israel, além de diversas instalações ligadas aos Estados Unidos no Catar, Bahrein, Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, dentro do raio de ofesiva.

Mísseis de cruzeiro e drones

Míssil de cruzeiro Soumar Reprodução/ Wikimedia Commons

Os mísseis de cruzeiro apresentam outra estratégica importante: eles voam a baixa altitude e podem acompanhar o relevo do terreno, o que dificulta sua detecção pelos sistemas de defesa. Essa dificuldade aumenta quando são usados em conjunto com drones ou com ataques de mísseis balísticos, estratégia que pode sobrecarregar as defesas aéreas.

Entre os modelos associados ao Irã estão Soumar, Ya-Ali, variantes do Quds, Hoveyzeh, Paveh e Ra’ad. O Soumar, por exemplo, possui alcance estimado em até 2.500 quilômetros.

Os drones também reforçam essa capacidade ofensiva. Apesar de serem mais lentos que os mísseis, são relativamente baratos e podem ser lançados em grande quantidade.

Em ataques coordenados, podem sobrecarregar defesas aéreas e manter aeroportos, portos e instalações energéticas sob pressão por longos períodos. 

Estratégia de sobrevivência do arsenal

Nos últimos anos, o Irã também investiu em estruturas destinadas a proteger sua capacidade de lançamento. Parte do programa foi instalada em túneis subterrâneos, bases ocultas e plataformas protegidas espalhadas pelo território.

Essa rede dificulta a neutralização rápida dos sistemas e aumenta a probabilidade de que parte do arsenal permaneça operacional mesmo após uma primeira onda de ataques inimigos. Para estrategistas militares, essa característica eleva o risco de conflitos prolongados, já que reduzir completamente essa capacidade seria uma tarefa complexa.

Estreito de Ormuz e pressão sobre o comércio global

Estreito de OrmuzDivulgação/Nasa

A estratégia de dissuasão iraniana não se limita ao território continental. O Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz, rota por onde circula uma grande parcela de petróleo e gás comercializados no mundo, representam um ponto sensível para a economia global.

Com o fechamento do estreito, o Irã pode pressionar o tráfego marítimo por meio de mísseis antinavio, minas navais, drones e embarcações rápidas de ataque.

Teerã também afirma possuir sistemas hipersônicos, como os da série Fattah, que teriam alta velocidade e grande capacidade de manobra, embora especialistas considerem que ainda há poucas evidências independentes sobre o nível operacional do armamento.

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