
Uma mulher britânica revelou o drama que enfrentou após perder o companheiro quando estava grávida de apenas oito semanas. Além de lidar com o luto durante a gestação, ela precisou dar à luz sozinha e ainda não conseguiu incluir o nome do pai na certidão de nascimento do filho. As informações são do The Sun.
Aos 28 anos, Alex Leggatt havia acabado de descobrir que estava esperando um bebê quando seu parceiro, Jody Murphy, de 39, morreu repentinamente enquanto dormia, em dezembro de 2020. O casal havia iniciado o relacionamento poucos meses antes, mas já planejava construir uma família.
Segundo Alex, a gravidez transcorria de forma tranquila até a morte do companheiro. Nos meses seguintes, porém, ela passou a enfrentar fortes enjoos matinais, perda de peso e o peso emocional de organizar o funeral de Jody enquanto ainda lidava com a gestação.
Hoje, o filho do casal, Malone, tem três anos e começa a fazer perguntas difíceis para a mãe. O menino quer saber por que o pai não vai buscá-lo na pré-escola e quando ele vai “voltar do céu”.

Apesar de a paternidade ser reconhecida pela família, Alex afirma que não conseguiu registrar oficialmente Jody como pai na certidão de nascimento do filho. Para isso, ela precisaria solicitar na Justiça uma declaração formal de paternidade, procedimento que custa pelo menos 365 libras, valor que diz não ter condições de pagar.
Moradora de Boston, no condado de Lincolnshire, Alex lembra que o companheiro estava extremamente animado com a perspectiva de se tornar pai. Segundo ela, Jody chegou a encher o apartamento com brinquedos antes mesmo do nascimento do bebê.
“Era evidente que ele queria muito ser pai. Ele jamais perderia o nascimento do Malone. Nosso filho é o legado dele”, contou.
Criar o menino sozinha tem sido um desafio constante. A mãe diz que muitas vezes pensa nos momentos importantes da vida da criança que o companheiro nunca poderá presenciar.
Alex e Jody se conheciam desde a infância, já que suas famílias eram amigas próximas. No entanto, o romance entre os dois só começou em maio de 2020, depois que Jody encerrou um relacionamento de 15 anos.
Por causa das restrições impostas pela pandemia de covid-19, o primeiro encontro foi simples: os dois se encontraram em um estacionamento de um restaurante de fast-food e comeram nuggets dentro do carro. Mesmo assim, Alex descreve o momento como “romântico”.
“Os restaurantes tinham acabado de reabrir. Sentamos no carro e dividimos 20 nuggets”, lembrou.
Depois de alguns encontros e idas ocasionais ao litoral, os dois oficializaram o namoro em agosto de 2020. Durante os três meses em que ficaram juntos, Jody falava frequentemente sobre o desejo de ter um filho.
“Ele estava perto dos 40 anos e dizia que queria muito ser pai”, contou Alex.
Inicialmente, ela afirmava não querer mais filhos. A decisão mudou quando descobriu que estava grávida.
No dia 9 de novembro de 2020, Alex soube que estava com quatro semanas de gestação. A notícia deixou Jody radiante, e ele correu para contar a novidade à avó, May, de 90 anos.
Quatro semanas depois, no entanto, a vida da família mudou completamente.
Na manhã de 6 de dezembro, Alex recebeu uma ligação de uma amiga de Jody com uma notícia devastadora: ele havia morrido.
“Ela disse simplesmente: ‘Alex, o Jody morreu’. Contou que ele tinha ido dormir na casa de um amigo e não acordou mais”, relatou.
Sem acreditar no que havia ouvido, Alex caminhou até a casa do companheiro. Ao chegar, foi informada pelos policiais que não deveria entrar, devido ao estado em que o corpo havia sido encontrado e também por estar grávida.
Mesmo assim, ela conseguiu entrar na residência.
“Eu o vi ali e a última coisa de que me lembro foi desmaiar gritando”, contou.
A próxima vez que viu o companheiro foi durante o velório.
Até hoje, três anos depois, Alex diz que a família de Jody evita comentar detalhes sobre a morte para não aumentar seu sofrimento. Ela acredita que o parceiro possa ter tido um problema cardíaco não diagnosticado.
Durante o funeral, Alex viveu um momento marcante. Foi ali que sentiu os primeiros chutes do bebê na barriga.
“Eu imediatamente virei para a mãe dele e deixei que ela sentisse também”, lembrou.
Segundo ela, o momento foi extremamente emocionante e doloroso ao mesmo tempo.
Malone nasceu no dia 3 de julho de 2021, às 17h40, no Hospital Pilgrim, em Boston. O bebê veio ao mundo pesando cerca de 2,8 quilos.
Apesar do apoio das duas famílias, Alex conta que precisou enfrentar o parto sem a presença de alguém ao seu lado.
“Todos foram muito solidários, mas ninguém estava comigo quando nosso filho nasceu”, disse.
Após deixar a maternidade, ela caminhou até a casa da avó de Jody carregando o bebê no bebê-conforto.
“Quando chegamos lá, nós duas começamos a chorar.”
Hoje, Malone já entende que o pai está no “céu”, mas ainda tem dificuldade para lidar com a ausência. Em algumas ocasiões, quando vê colegas sendo buscados pelos pais, ele pergunta por que o dele não aparece.
A mãe também percebe várias semelhanças entre o menino e Jody, incluindo o carinho especial que ambos demonstram pela avó May.
Quando Alex pergunta ao filho se ele quer “ver o papai”, o garoto já sabe que eles irão visitar o túmulo do pai.
Segundo ela, Malone costuma levar presentes para o local, como flores e até um patinete do personagem Homem-Aranha.
Mesmo após todos esses anos, Alex ainda não conseguiu regularizar a paternidade no registro civil do filho.
Ela afirma ter sido orientada por um funcionário do cartório a solicitar na Justiça uma declaração formal de paternidade, procedimento que envolve custos que ela não consegue pagar.
“Jody não sabia que ia morrer”, lamentou.
“Tudo o que ele queria era ser pai, e agora nem sequer aparece na certidão de nascimento do Malone.”
Alex defende que o processo deveria ser mais simples para famílias que passam por situações semelhantes, permitindo, por exemplo, que parentes do falecido confirmem a paternidade diretamente no cartório.
