
Uma nova exposição com 22 moldes de vítimas da erupção do Monte Vesúvio em 79 d.C. foi inaugurada em 11 de março no Parque Arqueológico de Pompeia, na Itália. A mostra apresenta as posições preservadas dos moradores da antiga cidade romana no momento em que foram atingidos por nuvens de cinzas e gases quentes, registrando visualmente como tentaram se proteger durante a catástrofe que matou milhares de pessoas.
As peças exibidas foram produzidas a partir de cavidades deixadas no solo endurecido após a decomposição dos corpos. Durante as escavações, arqueólogos preencheram esses espaços com gesso líquido, técnica que permite reproduzir com precisão a forma e os gestos das pessoas no momento da morte.
Os resultados mostram reações distintas diante do desastre. Algumas figuras aparecem encolhidas ou com os braços levantados, enquanto outras parecem tentar proteger o rosto com roupas ou mantos. Em um dos casos, duas pessoas aparecem abraçadas.
Outro molde mostra um homem sentado com os joelhos puxados até o peito e as mãos próximas ao rosto. Já em outra reconstrução, um adulto aparece deitado enquanto uma criança está posicionada sobre suas pernas.

Entre os registros também está o de uma mulher encontrada próxima a um dos acessos da antiga cidade. Com ela estavam anéis de ouro e prata, moedas e uma pequena estatueta da deusa Ísis, itens que indicam que ela carregava pertences enquanto tentava fugir.
Uma das peças mais marcantes representa uma criança de aproximadamente três anos encontrada em uma residência conhecida como Casa do Bracelete de Ouro. O intenso calor da tragédia teria provocado alterações físicas visíveis preservadas na reconstrução.

Durante a abertura do acervo, o diretor do sítio arqueológico destacou o significado histórico da tragédia. “Queremos contar a história de uma tragédia que destruiu uma cidade, o maior desastre natural da Antiguidade, mas que também nos deixou um tesouro arqueológico e histórico”, afirmou Gabriel Zuchtriegel.
A equipe de pesquisa também destacou o caráter científico da exposição. “Estamos relatando de forma científica, pela primeira vez, o que aconteceu durante aquelas horas”, disse a arqueóloga Silvia Bertesago.
A antiga cidade permaneceu soterrada por cerca de 1.700 anos até ser redescoberta por engenheiros militares espanhóis no século XVIII. De acordo com dados do parque, o sítio arqueológico recebe cerca de quatro milhões de visitantes por ano.
*Estagiária sob supervisão
