
Quatro oficiais do Exército indonésio foram presos após o ataque com ácido a Andrie Yunus, vice-coordenador do KontraS, uma organização de direitos humanos que investiga abusos e apoia vítimas de violência, em Jacarta, na Indonésia. Dois homens em uma motocicleta teriam lançado o ácido, e a ação está sendo investigada pelas autoridades militares para apurar motivos e possíveis cúmplices.
Andrie Yunus sofreu queimaduras em mais de 20% do corpo e segue internado em hospital de Jacarta. O ataque ocorreu após ele gravar um podcast sobre a presença militar em assuntos governamentais.
As autoridades confirmaram que quatro oficiais do Exército foram detidos sob suspeita de envolvimento no ataque. “Nós agora detivemos os quatro suspeitos na sede da Polícia Militar, e conduzimos uma investigação detalhada,” afirmou Major-General Yusri Nuryanto, comandante da Polícia Militar do Exército indonésio. “Eles pertencem a uma unidade de inteligência e suas patentes variam de capitão a segundo sargento”, disse Nuryanto.
Nuryanto acrescentou que a investigação inclui a análise de possível envolvimento de superiores e que outras pessoas podem ter participado do ataque.
Protestos e mobilizações na Indonésia
Vários protestos foram registrados em diferentes cidades da Indonésia, incluindo Jacarta, Bandung e Yogyakarta, com demandas que incluem críticas a políticas públicas e à atuação das forças de segurança.

Alfred Wu, chefe do programa Ásia-Pacífico da organização de direitos humanos ARTICLE 19, afirmou que os protestos refletem preocupação da sociedade com a proteção de defensores de direitos humanos e com a presença do Exército em atividades governamentais. “É um momento crítico para a sociedade, e ataques a defensores indicam que medidas de proteção ainda são insuficientes. Muitos ativistas têm relatado ameaças, intimidações e pressão por parte de autoridades, e isso tem motivado protestos em diversas cidades,” afirmou Wu.
Segundo representantes de organizações civis, os protestos também buscam pressionar o governo a criar mecanismos mais efetivos de proteção a ativistas e defensores de direitos humanos, e alertar para possíveis violações de liberdade de expressão e participação política.
Ações de solidariedade a Andrie Yunus mobilizam estudantes e civis
Em Yogyakarta, mães e estudantes se reuniram no dia 14 de março para manifestar apoio a Yunus após o ataque. O grupo carregava cartazes e faixas pedindo justiça e proteção para defensores de direitos humanos.

“Estamos aqui para mostrar que ele não está sozinho, e para lembrar que ataques como este não podem ficar impunes,” comentou um dos participantes da ação de solidariedade, enfatizando que a mobilização busca chamar atenção da sociedade e do governo para a segurança de defensores e cidadãos engajados em causas sociais.
Organizações civis de direitos humanos, como a Amnesty International Indonésia, pediram que o ataque seja investigado de forma completa e que os responsáveis sejam responsabilizados, destacando que casos de violência contra ativistas devem ser tratados com rigor pelas autoridades e acompanhados por observadores independentes sempre que possível.
*Estagiária sob supervisão
