
Mensagens ditas como enviadas pelo tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto mostram que ele definia a relação com a esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, a partir de uma lógica de hierarquia e submissão. Nos textos, ele se descreve como “macho alfa” e afirma que a companheira deveria agir como “fêmea beta obediente e submissa”.
As conversas, reveladas pelo UOL, foram retiradas do celular do oficial e passaram a integrar a investigação que apura a morte da policial, acontecida em fevereiro. O material mostrou um padrão de comportamento marcado por humilhações, cobranças e controle dentro do relacionamento.
Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada com um tiro na cabeça dentro do apartamento do casal, em São Paulo. O caso foi inicialmente registrado como suicídio, mas passou a ser tratado como feminicídio após laudos apontarem indícios de agressão e inconsistências na versão apresentada pelo marido.
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Em uma das mensagens, enviada dois dias antes do crime, o tenente-coronel afirma que tratava a esposa com “amor, carinho, atenção e autoridade de Macho Alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa”. Em outro trecho, vincula o sustento financeiro da casa a exigências afetivas e sexuais.

Gisele reagiu ao conteúdo e rejeitou a imposição. “Por mim separamos, não vou trocar sexo por moradia e ponto final”, escreveu. Em outras mensagens, relatou que era alvo de ofensas recorrentes, incluindo ser chamada de “burra”, além de criticar o comportamento que descreveu como estúpido e desrespeitoso.
O uso de termos como “macho alfa” e “fêmea beta” tem origem em interpretações antigas da biologia sobre hierarquia entre animais, posteriormente apropriadas em ambientes digitais para sustentar visões de superioridade masculina sobre a mulher.
No contexto atual, essas expressões são associadas a discursos que classificam relações humanas com base em poder e submissão, categorizado como machismo. Quando aplicadas a mulheres, indicam a expectativa de obediência e subordinação dentro do relacionamento.
Elementos na investigação

Trechos citados apontam que as mensagens revelaram não apenas ofensas, mas também indícios de controle e ameaça de subjugação. O material inclui referência a episódio de agressão física dias antes da morte.
Na entrevista coletiva sobre o caso na quarta-feira (18), autoridades afirmaram que a análise de celulares, depoimentos e laudos periciais foi decisiva para confrontar a versão apresentada pelo tenente-coronel. O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Oswaldo Nico, declarou que as provas indicam a inviabilidade da hipótese de suicídio.

O delegado Denis Shaito, responsável pela investigação, afirmou que o trabalho incluiu o cruzamento de informações extraídas dos aparelhos com o histórico do casal e depoimentos de testemunhas. Já o superintendente da Polícia Técnico-Científica, Claudinei Salomão, disse que a exumação confirmou os achados do primeiro laudo.
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Situação do caso
O tenente-coronel foi preso na quarta-feira (18) e se tornou réu por feminicídio, violência doméstica e fraude processual. O Ministério Público sustentou que há elementos suficientes para a manutenção da prisão.
A defesa contesta a decisão e afirma que a Justiça Militar não teria competência para decretar a medida. Até o momento, porém, o conjunto de provas reunido pela investigação mantém o caso classificado como feminicídio.
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