
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de cinco dias para que o Senado e o senador Carlos Viana (Podemos) expliquem o envio de R$ 3,6 milhões em dinheiro público, por meio de emendas parlamentares, para uma fundação ligada à Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte.
A decisão foi tomada após deputados acionarem o STF, apontando suspeitas de uso irregular do dinheiro.
Segundo os parlamentares, o dinheiro foi enviado em três ocasiões para a Fundação Oasis, responsável por ações sociais da igreja, liderada pelo pastor André Valadão.
Em 2019, foram R$ 1,5 milhão enviados à Prefeitura de Belo Horizonte com indicação para a fundação, modelo conhecido como “emenda Pix”, em que o dinheiro é transferido diretamente.
Em 2023, outros R$ 1,47 milhão foram destinados à unidade da entidade em Capim Branco (MG). Já em 2025, mais R$ 650,9 mil foram enviados ao mesmo local.
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Igreja é alvo de investigação
A igreja passou a ser investigada na CPI que apura possíveis fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As suspeitas envolvem empréstimos consignados feitos com o Banco Master.
Um dos nomes citados é o de Fabiano Zattel, ex-pastor da igreja e parente do dono do banco, Daniel Vorcaro. Ele é apontado como ligado a possíveis irregularidades.
No pedido enviado ao STF, os deputados afirmam que a situação é preocupante, pois o senador teria destinado recursos para a entidade ao mesmo tempo em que ocupa cargo em uma comissão que investiga o caso.
Flávio Dino é relator de uma ação no STF que trata da transparência no uso de emendas parlamentares.
Ao pedir explicações, o ministro afirmou que a medida busca garantir o cumprimento de regras já definidas pelo Supremo, que exigem mais controle e clareza sobre esses repasses.
Agora, o senador e o Senado devem apresentar suas justificativas dentro do prazo.
Investigação e prisão
O nome do Banco Master aparece no centro de uma investigação federal sobre suspeitas de fraudes financeiras. A apuração envolve o banqueiro Daniel Vorcaro, e investiga a possível comercialização de títulos de crédito considerados irregulares pelas autoridades.
Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025 no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Na ocasião, a Polícia Federal apontou risco de fuga quando ele tentava embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
A investigação ganhou novos desdobramentos com a Operação Compliance Zero. A ação resultou em prisões e mandados de busca e apreensão em Minas Gerais e São Paulo. Segundo a PF, o grupo investigado pode ter movimentado um esquema bilionário baseado em títulos de crédito supostamente falsos.
O banqueiro também era esperado para prestar depoimento à CPI do Crime Organizado no Congresso Nacional. No dia do depoimento, porém, ele acabou preso novamente. Atualmente, Vorcaro está detido no Presídio Federal de Brasília, unidade de segurança máxima.
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Além das suspeitas de fraude financeira, os investigadores apuram possíveis crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos. A investigação segue em andamento.
Na última sexta-feira (13), o STF formou maioria para manter a prisão preventiva de Vorcaro.
