
Israel voltou a ameaçar avançar sobre o sul do Líbano caso o Hezbollah não seja desarmado. A sinalização partiu do ministro da Defesa, Israel Katz, em meio a dias seguidos de confronto na fronteira.
Segundo a Reuters, que publicou a informação, em vez de ações pontuais, o governo passa a admitir a possibilidade de controle territorial para conter ataqus do grupo apoiado pelo Irã.
Katz disse que áreas próximas à fronteira não poderão manter moradores ou estruturas onde houver presença do Hezbollah. Na prática, a proposta aponta para uma faixa de segurança dentro do território libanês.
O Exército israelense não comentou diretamente as declarações. Antes, havia informado apenas que realiza incursões “limitadas e direcionadas” na região.
Estratégia inclui demolições e avanço gradual
Nos últimos dias, Katz passou a comparar a operação no Líbano ao modelo adotado em Gaza. Segundo ele, forças israelenses vêm destruindo estruturas usadas pelo Hezbollah, incluindo casas que seriam utilizadas como base para ataques.
A justificativa, segundo o ministro, é afastar ameaças das cidades israelenses próximas à fronteira. Ele mencionou a criação de uma “linha defensiva avançada”, sem detalhar até onde essa faixa se estenderia.
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A pressão dentro do governo também cresceu. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, defendeu que Israel anexe partes do sul do Líbano, o que deve fazer com que a guerra escale ainda mais.
Do lado libanês, não houve resposta oficial imediata. O silêncio incomoda quem deixou a região nos últimos dias, segundo a Reuters.
“Se o nosso governo não está ao nosso lado, o que podemos fazer?”, disse Najib Hussein Halawi, segundo a Reuters, que fugiu da cidade de Kfar Kila, perto da fronteira. Segundo ele, a área já não tem mais estrutura básica.
Ataques deixam mortos e ampliam crise humanitária
Os bombardeios no sul do Líbano e em áreas próximas a Beirute, capital libanesa, vêm se acumulando. Segundo autoridades locais, mais de mil pessoas morreram desde o início da ofensiva, e mais de um milhão deixaram as próprias casas.

Os números incluem cerca de 120 crianças, 80 mulheres e 40 profissionais de saúde, de acordo com o Ministério da Saúde libanês, que não separa civis de combatentes.
Também há baixas do lado israelense. Dois soldados morreram em confrontos recentes dentro do território libanês.
Em Bchamoun, ao sudeste de Beirute, uma explosão durante a madrugada atingiu um prédio residencial. Três pessoas morreram, entre elas uma menina de três anos.
A proprietária de um dos apartamentos atingidos, Rawaa Eido, criticou a presença de combatentes em áreas civis. Em entrevista à Reuters, ela disse que moradores acabam pagando o preço da guerra.
Guerra se expande e pressiona região
A frente no Líbano se soma a um conflito mais amplo no Oriente Médio. O Hezbollah passou a atacar Israel em 2 de março, após o início da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Desde então, o confronto deixou de ser localizado. Israel intensificou bombardeios não só no sul do Líbano, mas também em áreas próximas à capital, Beirute.
O grupo libanês, por ssua vez, mantém ataques frequentes com foguetes e drones, além de enfrentar tropas israelenses em vilarejos próximos à fronteira.
Em meio à escalada, o Líbano declarou o embaixador iraniano persona non grata e determinou a saída do país. A medida veio após a expulsão de outros cidadãos iranianos, incluindo diplomatas.
Israel elogiou a decisão. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que há possibilidade de acordo para encerrar a guerra, citando conversas com autoridades iranianas.
O Irã nega que qualquer negociação esteja em curso.
