Bolsonaro tentou romper tornozeleira quando esteve em prisão domiciliar; relembre


Beneficiado nesta terça-feira (24) com a concessão de prisão domiciliar humanitária por 90 dias, Jair Bolsonaro (PL) já esteve preso em casa em 2025 por descumprimento de medidas judiciais. Foi nessa condição que o ex-presidente tentou romper, em novembro do ano passado, a tornozeleira eletrônica que utilizava com um ferro de solda.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acolheu um parecer da Procuradoria-Geral da República e atendeu ao pedido da defesa de Bolsonaro, concedendo nesta terça prisão domiciliar ao ex-presidente em razão do seu estado de saúde.
Com isso, o político do PL poderá cumprir em casa o resto da pena de 27 anos e 3 meses de prisão – à qual foi condenado por tramar um golpe de Estado. Até então, ele cumpria a pena em uma cela de estado-maior na Papudinha.
Nesta reportagem, o g1 relembra como o ex-presidente tentou romper a tornozeleira quando estava em prisão domiciliar preventiva no ano passado, o que ele alegou e quais foram as consequências desse ato.
Bolsonaro diz que usou ferro de solda pra violar tornozeleira eletrônica
Como Bolsonaro tentou romper a tornozeleira?
A tentativa de rompimento da tornozeleira eletrônica pelo ex-presidente Jair Bolsonaro foi o estopim para que ele fosse retirado da prisão domiciliar e colocado em uma cela da Polícia Federal em Brasília.
O incidente ocorreu na madrugada do dia 22 de novembro de 2025, um sábado. Na ocasião, ele estava em prisão domiciliar desde agosto daquele ano.
⛓️‍💥Bolsonaro utilizou um ferro de soldar para tentar danificar o dispositivo. O Centro Integrado de Monitoração Eletrônica (Cime) do Distrito Federal registrou o alerta de “violação do dispositivo” exatamente às 0h07.
Imagens e vídeos anexados ao processo mostraram que o equipamento apresentava marcas de queimadura em toda a sua circunferência, especialmente no local de encaixe e fechamento da carcaça. O ex-presidente chegou a declarar aos agentes: “Meti um ferro quente aí”.
O que o ex-presidente alegou?
Após o episódio, durante sua audiência de custódia e em conversas com agentes, Bolsonaro e sua defesa apresentaram as seguintes justificativas:
Surto por medicamentos: ele alegou ter tido um “surto” e episódios de “paranoia” causados pelo uso de medicamentos psiquiátricos (como pregabalina e sertralina) para tratar ansiedade e depressão.
Privação de sono: afirmou que não estava dormindo bem e que, em um momento de falta de razão, resolveu mexer no aparelho.
Suspeita de escuta: uma das versões mencionadas por aliados era de que ele acreditava que havia um equipamento de escuta escondido dentro da tornozeleira.
Negação de fuga: Bolsonaro negou categoricamente qualquer intenção de fugir, afirmando que “caiu na razão” logo após o ato e se comunicou com os agentes.
Quais foram as consequências?
O ato foi considerado de gravidade máxima pelas autoridades e teve implicações imediatas.
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, decretou a prisão de Bolsonaro na manhã do mesmo sábado (22).
Em razão da tentativa de rompimento, o ex-presidente foi levado para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde ficou detido em uma sala de Estado-Maior.
O magistrado argumentou que a violação constatava a intenção de romper o monitoramento para garantir uma fuga, que seria facilitada por uma vigília de apoiadores convocada para a frente de sua residência.
Na decisão, Moraes destacou a proximidade da casa de Bolsonaro com embaixadas estrangeiras (cerca de 15 minutos), o que aumentava o risco de evasão.
Como Bolsonaro já havia sido condenado a 27 anos e 3 meses de prisão no caso da “trama golpista”, a prisão preventiva acabou sendo emendada com o início da execução da pena em regime fechado.
Ex-presidente Jair Bolsonaro com tornozeleira em imagem de arquivo antes de ter a prisão domiciliar decretada em agosto de 2025
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