A Páscoa de 2026 deve movimentar cerca de R$ 3,82 bilhões no varejo brasileiro, consolidando-se como a quinta data mais relevante para o comércio nacional, com crescimento nominal estimado de 4,5%. Apesar do avanço no faturamento, especialistas apontam que o desempenho do setor reflete, em grande parte, a elevação dos preços dos itens tradicionais da data, e não necessariamente um aumento no volume de consumo.
Levantamento baseado em mineração de dados realizado pelo IBEVAR-FIA Business School mostra um descolamento relevante entre os preços da cesta de Páscoa e a inflação oficial. Enquanto o IPCA acumulou alta de 39,3% entre 2021 e 2026, alguns produtos típicos registraram aumentos muito superiores, chegando a mais de 160% no período, indicando uma pressão crescente sobre o orçamento das famílias.
Entre os itens mais impactados está o bacalhau, tradicional nas refeições da Semana Santa. De acordo com o estudo, a versão básica do produto registrou alta de 163,2% desde 2021. Já os cortes intermediários acumulam aumento de 135,3%, enquanto as versões de maior valor registraram elevação de 93,9% no período.
O encarecimento do produto está associado a fatores como câmbio, custos logísticos e dinâmica internacional de oferta, já que o bacalhau consumido no Brasil é majoritariamente importado.
Segundo Claudio Felisoni, presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School, o movimento revela um desafio estrutural para o varejo em datas sazonais.
“Em um ambiente em que itens tradicionais acumulam inflação muito acima do IPCA, o desafio do varejo não é apenas vender mais, mas tornar a tradição economicamente viável para o consumidor brasileiro”, afirma.
Tradição da Semana Santa resiste mesmo com preços mais altos
Apesar da pressão inflacionária, o bacalhau continua sendo um dos pratos mais associados às celebrações da Semana Santa no país. Restaurantes especializados relatam que, mesmo com a alta de preços, o produto segue como protagonista dos cardápios durante o período.
Um exemplo é o Bacalhau, Vinho e Cia, considerado um dos restaurantes tradicionais da capital paulista quando o assunto é culinária portuguesa. A casa mantém unidades em diferentes regiões da cidade e é conhecida por receitas clássicas à base de bacalhau, especialmente durante a Semana Santa.

Segundo a equipe do restaurante, a qualidade do preparo é fundamental para valorizar o ingrediente, sobretudo em um cenário em que o produto se tornou mais caro.
Entre os principais cuidados no preparo estão o processo correto de dessalga, o controle da temperatura de cocção e o uso de azeites de boa qualidade, técnicas que ajudam a preservar a textura e o sabor característicos do peixe.
Outra recomendação é evitar o cozimento excessivo. Preparos mais delicados — como o bacalhau confitado ou assado lentamente — permitem que o peixe mantenha sua estrutura e absorva melhor os aromas dos ingredientes utilizados.
Serviço — Bacalhau, Vinho e Cia.
Para quem pretende manter a tradição da Semana Santa, o restaurante possui duas unidades em São Paulo:
Unidade Barra Funda
Rua Barra Funda, 1067 — São Paulo (SP)
(11) 3666-0381 | (11) 3826-7634
Unidade Itaim Bibi
Rua Pedroso Alvarenga, 620 — Itaim Bibi, São Paulo (SP)
(11) 3071-4077
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