
O governo de Cuba anunciou nesta quinta-feira (02) o perdão da pena para 2.010 presos, uma semana após Trump ameaçar ação militar no país.
Essa medida, chamada de indulto, foi aprovada levando em conta boa conduta, tempo de prisão cumprido e condições de saúde dos detentos.
O anúncio não cita os Estados Unidos, atribuindo a decisão às “celebrações religiosas da Semana Santa”, período em que o país costuma conceder indultos. Este é o quinto perdão desde 2011, totalizando mais de 11 mil pessoas soltas.
Entre os libertos estão jovens, mulheres, idosos com mais de 60 anos, estrangeiros e cubanos que vivem fora do país, além de pessoas que já teriam direito à liberdade antecipada nos próximos meses.
Ficaram de fora do indulto aqueles condenados por crimes graves, como agressão sexual, pedofilia com violência, homicídio, assassinato, tráfico de drogas, roubos com violência ou armas, corrupção de menores, crimes contra a autoridade, reincidentes e pessoas que já haviam sido beneficiadas por outro perdão e voltaram a cometer crimes.
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Tensão militar
O anúncio acontece uma semana depois do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump sugerir a possibilidade de ação militar contra Cuba, em discurso em Miami.
Desde a captura de Nicolás Maduro, o novo governo da Venezuela, pressionado pelos EUA, cortou os envios de petróleo para Cuba, que depende do combustível para manter usinas e transporte funcionando.
Mesmo com as ameaças, Trump autorizou a chegada de petróleo russo à ilha. Nesta segunda-feira (30), o navio russo Anatoly Kolodkin chegou transportando 730 mil barris de petróleo bruto, o primeiro em quase três meses.
A interrupção das importações de petróleo venezuelano, determinada pelos Estados Unidos, havia deixado Cuba à beira do colapso, causando crise em usinas de energia e transporte e apagões recorrentes.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, confirmou que há negociações com os EUA para tentar evitar um conflito militar.
