
Durante a Sexta-feira Santa, milhões de pessoas deixam de consumir carne vermelha e adotam outras opções nas refeições. A troca não é apenas uma escolha alimentar, mas um prática tradicional ligada à religiosidade que segue firme ao longo dos anos.
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O simbolismo por trás da tradição
A data recorda a crucificação e morte de Jesus Cristo e é considerada, pela Igreja Católica, um momento de luto, silêncio e reflexão.
Na tradição antiga, a carne vermelha era associada a momentos de “celebração”, ligados a banquetes, prazeres e fartura. Por isso, em um dia marcado pela tristeza e reflexão sobre o sofrimento de Jesus Cristo, a Igreja propõe que os fiéis renunciem a esse alimento como forma de respeito e penitência.
Esse gesto se consolidou como uma prática simbólica ligada à memória da Paixão de Cristo, incentivando o recolhimento e a conversão espiritual.
Seguindo esse entendimento, o peixe passou a ser o substituto mais comum por ser historicamente visto como um alimento simples, além de estar ligado à vida dos apóstolos, muitos deles pescadores, e à própria ideia de humildade associada a Jesus
O que diz a Bíblia sobre não comer carne na Sexta-feira Santa?

Por curiosidade, muitas pessoas procuram na Bíblia um versículo que diga diretamente que os fieis não devem comer carne durante a sexta-feira, mas a orientação bíblica é mais ampla.
No Evangelho segundo São Mateus (Mt 9, 14-15), o próprio Jesus indica que seus seguidores jejuariam quando o “noivo”, uma referência a Ele mesmo, fosse tirado do meio deles:
Disse-lhes Jesus: “Por acaso, os amigos do noivo podem estar de luto enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejuarão”.”
Já a prática formal é orientada pelo Código de Direito Canônico, um conjunto de normas da Igreja Católica. No cânon 1249, é estabelecido que os fiéis devem realizar algum tipo de penitência.
Entre as datas obrigatórias estão a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa, quando se recomenda o jejum e a abstinência de carne como forma tradicional de vivenciar esse preceito.
A renúncia à carne vermelha faz parte da Quaresma, período de 40 dias de preparação espiritual que começa na Quarta-feira de Cinzas e vai até o Domingo de Páscoa. Nesse tempo, o sacrifício funciona como um lembrete de que o espírito deve prevalecer sobre as vontades do corpo.
De acordo com as orientações da Igreja Católica, o jejum consiste em fazer apenas uma refeição principal ao longo do dia, suficiente para sustentar a pessoa, sem excessos. Além disso, são permitidas duas pequenas refeições complementares, mais leves, apenas para amenizar a fome.
Já a abstinência determina que nesses dias, os fiéis deixem de consumir carne, especialmente a vermelha, como forma de disciplina e expressão de fé.
