Áudios expõem suspeito de furtos milionários de joias negociando drogas e armas: ‘Essa aí eu quero’; ouça


Fantástico teve acesso a imagens exclusivas da operação Diamante de Sangue
Áudios obtidos durante a investigação da Operação Diamante de Sangue indicam que um homem apontado pela polícia como um dos líderes de uma quadrilha especializada em furtos de joias negociava a compra de armas e discutia valores relacionados a drogas. As informações são da Polícia Civil da Bahia.
Em um dos trechos, o suspeito, identificado como Gabryel Expedito Nascimento de Lima, demonstra interesse na compra de um fuzil. O interlocutor envia um vídeo da arma, e Gabryel responde: “essa aí eu quero comprar é pro uso pessoal mesmo”.
Em outra conversa, ele recebe imagens de uma plantação de maconha e pergunta o valor do quilo da droga. Segundo a polícia, os diálogos sugerem possível conexão com o tráfico, embora a participação direta ainda seja alvo de investigação.
De acordo com as autoridades, o grupo atuava principalmente em furtos a joalherias dentro de shoppings centers. Em um dos casos, em Salvador, um homem entrou por uma cafeteria fechada, acessou o forro do teto e abriu um buraco até uma loja vizinha, de onde foram levadas joias avaliadas em cerca de R$ 1 milhão.
Suspeitos de furtos a joalherias também negociavam armas, segundo a polícia
Reprodução/TV Globo/Fantástico
A mesma estratégia, segundo a polícia, foi utilizada em outro crime registrado em Vila Velha, no Espírito Santo. Imagens de câmeras de segurança mostram o suspeito se arrastando por baixo da porta de uma loja antes de acessar o teto para chegar ao estabelecimento alvo.
Após os furtos, ainda de acordo com as investigações, as joias eram enviadas pelos Correios em caixas de perfume, como forma de evitar suspeitas. O material era despachado para integrantes do grupo em outros estados.
A Polícia Civil afirma que a organização criminosa tinha atuação interestadual e estrutura dividida por funções, como execução dos furtos, transporte e revenda das joias.
Além dos furtos, os investigados são suspeitos de envolvimento em crimes como estelionato, lavagem de dinheiro e, possivelmente, tráfico de drogas.
Ao todo, dez pessoas foram presas na operação. A Justiça também determinou o bloqueio de 55 contas bancárias ligadas aos investigados, que somam cerca de R$ 13,6 milhões. Entre os bens apreendidos estão veículos de luxo, uma moto aquática, joias e celulares sem comprovação de origem.
Gabryel Expedito Nascimento de Lima e Yasmin Luyze Souza da Silva, apontados como chefes da quadrilha
Reprodução/TV Globo
As investigações também apontam indícios de ligação de Gabryel com uma aeronave apreendida em Roraima, que, segundo a polícia, teria sido utilizada em atividades relacionadas ao tráfico internacional de drogas. O sequestro do avião foi autorizado pela Justiça.
A defesa de Gabryel Expedito não respondeu às tentativas de contato. Já o advogado de Yasmin Luiza Souza da Silva, também investigada, informou que ainda não irá se manifestar oficialmente no processo.
Os suspeitos devem responder por crimes como furto qualificado, organização criminosa, estelionato e lavagem de dinheiro. As apurações sobre outros possíveis delitos seguem em andamento.
Ouça os podcasts do Fantástico
ISSO É FANTÁSTICO
O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.
Adicionar aos favoritos o Link permanente.