
Porto de Santos inicia ‘resgate’ de navio histórico que afundou
O navio Prof. W. Besnard, que afundou no cais do Valongo no início de março, começou a ser resgatdo no Porto de Santos, no litoral de São Paulo. O trabalho foi iniciado pela Autoridade Portuária de Santos (APS) e Marfort Serviços Marítimos. Atualmente, é realizado o mapeamento da estrutura da embarcação com apoio de mergulhadores. A reflutuação, segundo a APS, deve ser realizada em abril.
O navio Besnard afundou em 13 de março, mas parte da estrutura permanece fora da água por ter encostado no fundo do estuário (veja acima). Fora de operação desde 2008, o navio passava por reformas após ser doado à ONG Instituto do Mar (Imar).
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A APS firmou um contrato emergencial para retirada do navio de R$ 8,6 milhões, por conta da situação emergencial declarada pela Capitania dos Portos. Os serviços, ainda segundo a APS, foram iniciados no local na quinta-feira (2).
O presidente da APS, Anderson Pomini, e o diretor da Marfort, Alexandre Salamoni, concederam entrevista coletiva nesta terça-feira (7) para detalhar os serviços realizados na embarcação, que conta com cerca de 60 profissionais.
Mapeamento e retirada da água
Segundo Salamoni, neste momento, estão sendo realizados os estudos de engenharia e mapeamento do navio. Eles irão identificar e “tapar” os pontos onde houve a entrada de água na embarcação. O trabalho é realizado com apoio de mergulhadores.
Reflutuação
Bombas de sucção irão retirar toda a água que “invadiu” a embarcação e permitir a reflutuação. A intenção da empresa é não içar o navio com guindastes, por conta da atual condição estrutural do Besnard.
“O navio não está nas suas perfeitas condições de manutenção preventiva e corretiva […] A gente quer trabalhar isso em última, realmente, instância, para que a gente possa salvar o navio e reflutuar ele sem maiores danos, disse Salamoni.
Navio Professor W. Besnard será retirado do cais do Valongo pela APS
Alexsander Ferraz/A Tribuna Jornal
Estaleiro
Depois que a reflutuação ocorrer, Salamoni disse que o navio deve ser levado a um estaleiro em maio, Como o navio não está em condições de operar, deverá ser feito um plano de navegação, junto à Capitania dos Portos, para que ele possa ser deslocado até o estaleiro.
Já no local, o navio deve passar por uma nova inspeção e perícia para avaliar a possibilidade de uma eventual reforma pelo IMar.
“Nós saberemos depois que esse navio chegar ao estaleiro. O perito vai dizer se esse casco dá para recuperar. Se a recuperação é só para que ele fique flutuando, ou se ele poderá voltar a navegar”, disse Pomini.
Reforma e recursos
O contrato firmado com a Marfort Serviços Marítimos inclui apenas plano de mergulho, segurança operacional, içamento, metodologia de reflutuação, contenção de poluição e docagem da embarcação em estaleiro. A vigência do acordo é de seis meses.
As autoridades disseram que o valor abrange a mobilização multidisciplinar empregada. “Tem a parte ambiental, que fica à disposição de pronto. Tem a parte de balsas, rebocadores, guindastes, de mergulho. Então esses valores são divididos”, diz Salamoni.
Já a reforma é de total responsabilidade do Imar. A intenção do Instituto é transformar o navio em um museu flutuante, com sala de cinema e arquivos históricos.
O trabalho, no entanto, é realizado de forma voluntária e enfrenta dificuldades por falta de investidores, segundo a entidade. Por isso, segundo Pomini, empresas foram ‘convocadas’ para colaborarem com o IMar, para que a embarcação seja recuperada.
“Justamente homenageando a história deste navio para o Brasil”, disse. “Ao final, representa o resgate da história. E a história, muitas vezes, não tem preço, como a importância desse navio para o Brasil”, disse Pomini.
Acidente
Segundo o presidente do Imar, Fernando Liberalli, o acidente ocorreu após o navio encher de água, no dia 13 de março. Ele explicou que, no início do mês, foram registradas fortes chuvas e as bombas de sucção estavam fora de operação devido ao furto da fiação.
A APS assumiu a retirada do navio por conta da situação emergencial declarada pela Capitania dos Portos. O navio, de propriedade privada, deve ser levado pela APS até um estaleiro para avaliação. Já a reforma deve ser realizada pelo Imar, que busca parceiros.
Navio inclina e fica apoiado no fundo do estuário no Porto de Santos
Embarcação histórica
Com 49,3 metros de comprimento, o Besnard foi construído por encomenda do governo paulista e foi lançado ao mar em 1966.
Conforme noticiado pelo g1, a embarcação passou pela costa brasileira, fez expedições no arquipélago de Cabo Verde e realizou mais de 260 viagens para a formação de pesquisadores, passando por mais de 10 mil pontos de coleta para estudos científicos.
O navio levou as primeiras equipes de pesquisa brasileiras à Antártica. Depois disso, passou por duas reformas na década de 90 e um grande incêndio em 2008, que o deixou inoperante.
Navio histórico inclina e fica apoiado no fundo do estuário no Porto de Santos
