Funcionária denuncia assédio após levar tapa nas nádegas em supermercado de Conchas: ‘Disseram que eu dei liberdade’


Caso está sendo investigado pela delegacia de Conchas (SP)
Reprodução/Google Maps
Uma mulher de 23 anos registrou um boletim de ocorrência relatando que levou um tapa nas nádegas de um outro funcionário no supermercado em que ela trabalha, no Centro de Conchas (SP). O caso é investigado como importunação sexual pela Polícia Civil.
A situação ocorreu em 26 de março, mas o g1 teve acesso ao registro apenas nesta terça-feira (7). À reportagem, a vítima contou que organizava produtos em um dos corredores do mercado quando passou pelo homem.
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“Fui pegar um jogo de panela que estava em um dos corredores para deixar na sala do meu gerente. Quando fui passar para a sala, encontrei com um amigo meu, que estava conversando com esse menino. Eu passei e ele deu um tapa nas minhas nádegas”, conta.
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Segundo a jovem, que preferiu não ser identificada na reportagem, não foi a primeira vez que o funcionário tentou tocá-la. Antes, ela acreditava que as atitudes não tinham conotação maldosa, mas, após o tapa, passou a ver a situação de outra forma.
“Meu amigo repreendeu ele na hora do tapa. Antes disso acontecer, ele já tinha tentado me abraçar, pegar na minha barriga. Mas, quando você pensa que a maldade existe na gente, não é da pessoa. Eu só tinha me desvencilhado desse pensamento até então”, aponta.
Após o ocorrido, a vítima afirma que buscou ajuda dos responsáveis do mercado, mas diz que a reclamação não foi bem recebido. Segundo ela, os gerentes teriam dito ainda que chamariam a polícia caso o marido dela fosse até o local.
“Eu pedi a ajuda da gerente e mandei mensagem. Me retornaram dizendo que o máximo que poderia ser feito era apenas conversar com ele e que, se meu marido fosse lá, eles chamaram a polícia. Não só isso, mas também falaram que se eu não quisesse trabalhar mais lá, não teria problema. Meu marido nem quer que eu vá mais, porque, como que se trabalha em um lugar que não tem o mínimo de segurança?”, desabafa.
Desde então, a mulher deixou de frequentar o ambiente de trabalho e, por estar grávida, não foi demitida pela empresa. Ela foi encaminhada para acompanhamento psiquiátrico e, além de ter sido oficialmente afastada, afirma que passou a fazer uso de medicação por causa do assédio sofrido.
“Eu fui afastada pelo psiquiatra porque eu já não estava mais querendo ir trabalhar por causa do que aconteceu. Voltei a tomar os remédios que eu tomava quando tive um quadro de depressão e, além disso, estou sendo medicada pela ansiedade. Eu chegava no serviço e queria chorar. Além de tudo o que estava acontecendo, meu gerente fazia piadas sobre isso comigo como se eu tivesse feito alguma coisa”, diz.
A jovem afirma ainda que outras funcionárias também teriam sido assediadas pelo suspeito. Para ela, a falta de acolhimento por parte de responsáveis pelo estabelecimento também configura violência e negligência.
“Quando fui lá para conversar, me disseram que eu dei liberdade para ele. Que era uma brincadeira que eu tinha entendido mal, já que, às vezes, a culpa é da gente [mulher]. Entrei com um processo criminal contra ele e um por danos morais contra a empresa”, revela.
“Eu só conseguia chorar quando contei tudo o que aconteceu ao meu marido. É algo que marcou muito a minha cabeça e vou lembrar disso para o resto da minha vida. Me senti humilhada demais por tentarem me culpar por isso. A mulher pode ser o tipo de mulher que ela for e usar a roupa que quiser, mas sem o consentimento, ninguém tem o direito de tocá-la”, completa.
O g1 entrou em contato com o supermercado para se posicionar sobre o caso, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
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