Code Her: O Boticário cria bot para proteger mulheres de IA

Com Marina Sena à frente, campanha usa tecnologia para combater o uso indevido de imagens e reforçar a proteção digital das mulheres.Foto: Divulgação

A inteligência artificial (IA) deixou de ser apenas uma ferramenta de criação para se tornar também um campo de disputa ética e, cada vez mais, de proteção. É nesse contexto que O Boticário lança o movimento Code Her, que coloca um tema sensível no centro da conversa: o uso indevido da IA na manipulação de imagens de mulheres.

A iniciativa chega em um momento em que os números não permitem mais silêncio. Segundo dados da SaferNet Brasil, os registros de misoginia e violência digital cresceram mais de 200% em um ano — parte desse avanço diretamente ligada à popularização de ferramentas capazes de criar ou alterar imagens com realismo cada vez mais difícil de contestar.

Quando branding vira serviço

Criado pela AlmapBBDO, o Code Her não se limita a um filme ou a uma narrativa inspiracional. Ele se materializa em um bot dentro do X (antigo Twitter) que monitora possíveis tentativas de manipulação de imagens por inteligência artificial.

Na prática, a usuária ativa o sistema e, ao marcar o perfil do projeto, passa a contar com uma camada adicional de proteção. Caso haja indícios de alteração por IA — como o uso de ferramentas generativas — o conteúdo é bloqueado e acompanhado de orientações sobre denúncia e direitos legais.

A comunicação deixa de ser apenas discurso e passa a oferecer utilidade real.

Marina Sena e a exposição digital

A escolha de Marina Sena como rosto da campanha não é casual. Em um ambiente no qual a exposição digital é constante e, muitas vezes vulnerável, dar voz a figuras públicas amplia o alcance da mensagem e reforça a urgência do tema.

Ao lado dela, a participação de especialistas e a criação de uma cartilha digital ajudam a traduzir um assunto complexo em informação acessível. Não basta falar sobre tecnologia, é preciso educar sobre ela.

Segurança digital

O movimento revela uma mudança mais profunda. Se antes as marcas disputavam atenção, hoje elas começam a disputar relevância em territórios sociais e culturais mais amplos.

Ao abordar temas como a Lei Maria da Penha, a Lei Carolina Dieckmann e o Marco Civil da Internet, o projeto se ancora em uma base jurídica que reforça a legitimidade da discussão. Não é apenas uma pauta de branding, é uma pauta de cidadania digital.

Entre a inovação e o risco

A inteligência artificial segue sendo uma das maiores aliadas da criatividade contemporânea. Mas, como toda tecnologia poderosa, ela carrega riscos proporcionais à sua capacidade de transformação.

O que o Code Her evidência é que o futuro da comunicação passa, inevitavelmente, por esse equilíbrio: explorar o potencial da inovação sem ignorar seus impactos.

No fim, a pergunta que fica não é mais “o que a IA pode fazer pelas marcas?”, mas sim “o que as marcas podem fazer diante dos efeitos da IA na sociedade?”.

E, nesse jogo, quem se antecipa não só ganha relevância — ganha também responsabilidade.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.