
O relatório anual do Sistema de Segurança Interna, divulgado na última semana, aponta que brasileiros estão entre as principais vítimas de tráfico humano em Portugal.
Dos 191 casos considerados na amostra válida, 125, o equivalente a 65%, estão relacionados à exploração laboral. Dentro desse grupo, a grande maioria das vítimas é estrangeira (95%), com destaque para os brasileiros, que representam o maior número de casos.
Brasil lidera entre as vítimas
Com 22% das ocorrências de tráfico laboral, o Brasil ocupa a primeira posição entre as nacionalidades mais afetadas, seguido por Índia (12%) e Timor-Leste (10%).
Segundo o governo português, as vítimas costumam ser atraídas por promessas de emprego, remuneração, moradia e alimentação. Já os métodos de coação incluem ameaças diretas e indiretas, retenção de documentos, não pagamento de salários e agressões físicas.
Além da exploração laboral, outros 66 casos envolvem modalidades como exploração sexual, adoção ilegal, mendicidade forçada, prática de atividades criminosas e outras situações.
Nos 22 registros de exploração sexual, o Brasil também aparece em primeiro lugar, com 14 vítimas, cerca de 63% do total. Nessa categoria, a maioria das vítimas é do sexo feminino.
Proteção e assistência
De acordo com o relatório, 73 vítimas foram acolhidas em centros de apoio a pessoas em situação de tráfico humano. Ao todo, foram atendidas pessoas de 26 nacionalidades diferentes, com destaque para Brasil (12), Portugal (11), Indonésia e Senegal (7 cada), República Democrática do Congo e Angola (4 cada), além de Índia e Serra Leoa (3 cada).
Os dados referem-se ao ano de 2025 e consideram 205 ocorrências analisadas pelas autoridades portuguesas. Desse total, 153 casos envolvem vítimas levadas para Portugal para exploração, 34 dizem respeito a pessoas que saíram do país e foram exploradas no exterior, e 11 indicam o uso do território como rota de trânsito. Em outros sete registros, a exploração ocorreu em Portugal, mas não foi possível determinar se o país era origem ou destino.
Tráfico de drogas
O relatório também destaca a participação do Brasil no cenário do tráfico de drogas na Europa. Segundo o documento, Portugal é considerado um ponto estratégico para a entrada de entorpecentes no continente, articulando redes criminosas ligadas a países como Espanha, Bélgica, Países Baixos e nações da América Latina, com destaque para o Brasil.
Ainda de acordo com o levantamento, o país sul-americano está associado às rotas de tráfico que utilizam portos marítimos e aeroportos portugueses. O relatório ressalta que a maior parte da cocaína apreendida em Portugal continua chegando da América do Sul e das Antilhas, incluindo países como Colômbia, Costa Rica, Paraguai, Brasil e Equador.
