Plantas têm memória? Entenda o que diz pesquisa recente da Unesp


Plantas têm memória? Entenda o que diz pesquisa recente da Unesp
Rodrigo Peronti / edição: Canva
Plantas não têm cérebro, mas são capazes de “aprender” com experiências anteriores. É o que indica uma pesquisa recente da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que investigou como as espécies vegetais reagem a condições ambientais adversas, como seca, salinidade e altas temperaturas.
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Na prática, esse “aprendizado” não envolve uma memória igual à dos seres humanos, mas sim uma memória biológica. Trata-se de um conjunto de respostas fisiológicas e bioquímicas que permite à planta reagir de forma mais rápida e eficiente quando enfrenta novamente o mesmo tipo de estresse.
Segundo a bióloga Priscila Pegorin, autora principal do estudo, dizer que a planta tem memória é uma forma de explicar que ela consegue reter informações de eventos anteriores e adaptar sua reação para responder melhor a situações parecidas no futuro.
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‘Memória’ pode durar meses
Essa forma que as espécies vegetais têm de memorizar eventos pode durar de dias até meses, dependendo de fatores como o tipo e a intensidade do estresse, além das características específicas de cada planta.
Entretanto, a adaptação também tem um limite, causando certo “cansaço” na planta diante dessas situações.
“Ao longo dos eventos, considerando a idade e ciclo de vida dessa planta, essa adaptação se torna exaustiva para ela, podendo gerar diminuição no quão bem a planta funciona e produz”, explica a pesquisadora.
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Técnica de ‘priming’ e agricultura
Os testes da pesquisa foram baseados na técnica chamada de priming, que atua como uma espécie de “treinamento” prévio para a planta. No processo, o vegetal é exposto a um nível controlado de estresse. A partir disso, ativa mecanismos internos de defesa e adaptação, ficando mais preparado para enfrentar situações futuras.
“Essa técnica se torna extremamente importante, pois permite que a planta, mesmo submetida a estresse, ainda apresente ou mantenha crescimento”, afirma Priscila.
Esse método é promissor principalmente para a área agrícola, mostrando que superar a falta de recursos é possível. Em locais com condições climáticas extremas, como o sertão nordestino, a técnica pode ser uma alternativa viável para o plantio, além de incentivar a redução do uso da água.
De acordo com o Relatório da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), cerca de 50% do uso de água no Brasil é destinado à irrigação na agricultura. Por isso, o priming desponta como uma alternativa sustentável para a preservação desse recurso tão valioso para o planeta.
A escolha do sorgo
Plantação de sorgo
Wikimedia Commons/ Jonathan Wilkins
O estudo utilizou o sorgo (Sorghum) como planta modelo na investigação do fenômeno — e a escolha não foi por acaso. Considerado o quinto cereal mais cultivado do mundo, o sorgo é uma espécie originária da África, naturalmente adaptada a ambientes extremos, como regiões com pouca chuva e altas temperaturas.
A planta também é conhecida por aproveitar melhor a luz em comparação com outras espécies, destacando-se no crescimento mesmo sob condições adversas.
Essa combinação de resistência, adaptabilidade e uso eficiente de recursos faz do sorgo uma espécie estratégica para pesquisas sobre estresse ambiental, consolidando-se como uma aposta para a agricultura em um cenário de mudanças climáticas.
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*Sob supervisão de Rodrigo Peronti.
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