
A Agência de Serviços de Imigração do Japão divulgou, no último dia 27 de março, novos dados que revelam uma redução na comunidade brasileira residente no país. No fechamento de 2025, o número de brasileiros totalizou 210.014 pessoas, o que representa uma queda de 1.893 residentes em comparação aos 211.907 registrados ao final de 2024.
O declínio contrasta com a tendência geral do país, que atingiu um marco histórico ao superar, pela primeira vez, a marca de 4 milhões de residentes estrangeiros. Ao todo, o Japão abriga 4.125.395 cidadãos de outras nacionalidades, um salto de 9,5% em relação ao ano anterior.
Neste novo cenário demográfico, o Brasil ocupa atualmente a 7ª posição no ranking de comunidades estrangeiras. O dado reforça uma mudança de longo prazo no perfil imigratório japonês; em décadas anteriores, os brasileiros chegaram a configurar entre os três maiores grupos de estrangeiros no país, posição hoje ocupada por China, Vietnã e Coreia do Sul. Atualmente, a comunidade brasileira é uma das poucas que registra retração, acompanhando o movimento observado também entre os sul-coreanos.
Migração interna e postos de trabalho
Apesar da queda nacional, o relatório aponta um crescimento da presença brasileira em regiões for a dos centros industriais tradicionais. A província de Fukui liderou as altas com um acréscimo de 293 pessoas, seguida por Tóquio com mais 166 e Shimane com aumento de 104.
Em contrapartida, as maiores reduções ocorreram em polos históricos de concentração de mão de obra estrangeira. Shizuoka registrou a maior perda, com menos 662 brasileiros, seguida por Aichi com menos 574 e Shiga com menos 230. A região de Tokai, que engloba as províncias de Aichi, Shizuoka, Mie e Gifu, perdeu sozinha mais de 1.300 residentes brasileiros no período, sugerindo uma reestruturação no mercado de trabalho ou migrações internas.
Cenário global e nacionalidades
Enquanto a comunidade brasileira encolhe levemente, outras nacionalidades asiáticas apresentam expansão acelerada. O Nepal e a Indonésia foram os destaques de crescimento absoluto, com altas que superaram 66 mil novos residentes cada. Outro movimento relevante foi a ascensão do Sri Lanka, que saltou da 12ª para a 9ª posição no ranking geral.
Confira os dados por província em 31 de dezembro de 2025:
Hokkaido e Tohoku
Hokkaido: 213 (+12 pessoas)
Fukushima: 203 (-7)
Miyagi: 186 (+13)
Iwate: 100 (+8)
Yamagata: 80 (-15)
Aomori: 36 (0)
Akita: 14 (+2)
Kanto
Gunma: 13,995 (+58)
Kanagawa: 9.451 (-98)
Saitama: 7.116 (-200)
Ibaraki: 5.704 (-204)
Tóquio: 4,701 (+166)
Tochigi: 3.799 (-111)
Chiba: 3,637 (+73)
Hokuriku
Fukui: 5.304 (+293)
Toyama: 2,706 (+87)
Ishikawa: 1.599 (-148)
Niigata: 284 (-22)
Koshin
Nagano: 4.615 (-179)
Yamanashi: 2.828 (+25)
Tokai
Aichi: 60.406 (-574)
Shizuoka: 31.489 (-662)
Mie: 13.883 (-152)
Gifu: 12.349 (+12)
Kinki
Shiga: 9.267 (-230)
Osaka: 2.785 (-2)
Hyogo: 2.375 (-18)
Quioto: 623 (+23)
Nara: 349 (+9)
Wakayama: 119 (+2)
Chugoku
Shimane: 3,992 (+104)
Hiroshima: 2.261 (-66)
Okayama: 866 (-27)
Yamaguchi: 217 (-91)
Tottori: 55 (+7)
Shikoku
Ehime: 250 (-3)
Kagawa: 168 (-16)
Tokushima: 54 (+14)
Kochi: 20 (-4)
Kyushu e Okinawa
Okinawa: 1,064 (+96)
Fukuoka: 374 (-28)
Kagoshima: 92 (-44)
Oita: 91 (+5)
Kumamoto: 84 (-8)
Nagasaki: 74 (+9)
Miyazaki: 57 (+2)
Saga: 35 (0)
Ranking das 10 maiores comunidades estrangeiras no Japão:
China: 930,428 (+57,142)
Vietnã: 681.100 (+46.739)
Coreia do Sul: 407.341 (-1.897)
Filipinas: 356,579 (+15,061)
Nepal: 300,992 (+67,949)
Indonésia: 266,069 (+66,245)
Brasil: 210.014 (-1.893)
Mianmar: 182.567 (+47.993)
Sri Lanka: 79,128 (+15,656)
Taiwan: 73,256 (+3,109)
