
quiosque O Conselho de Sentença do 1º Tribunal do Júri da Capital condenou, após nove horas de julgamento, na noite a última quarta-feira (15), o lutador de jiu-jítsu Brendon Alexander Luz da Silva, conhecido como Tota, a 18 anos e oito meses de prisão, em regime fechado. O júri considerou o réu culpado por homicídio triplamente qualificado do congolês Moïse Mugenyi Kabagambe, morto em janeiro de 2022, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.
Vídeo inédito exibido durante o julgamento sobre a morte de Moïse Mugenyi Kabagambe, mostra acusados zombando do congolês, que estava imobilizado e desacordado.
Crédito: Divulgação pic.twitter.com/tAjMHdEm1Z
— Jornal O Dia (@jornalodia) March 14, 2025
A sentença, proferida pela juíza Alessandra da Rocha Lima Roidis, reconheceu que o crime foi cometido por motivo fútil, com emprego de meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
Segundo o Ministério Público, Moïse foi espancado por cobrar o pagamento de diárias atrasadas no quiosque onde trabalhava.
Vítima sofreu imobilização e agressões por quase 13 minutos

Durante o julgamento, a magistrada destacou que Brendon imobilizou Moïse por 12 minutos e 40 segundos, permitindo que outros agressores o atacassem com socos, chutes e golpes com um taco de beisebol.
A juíza chegou a se referir que a vítima foi tratada “como se fosse um animal peçonhento”, sem qualquer chance de reação. Ela também destacou que o réu em nenhum momento agiu para interromper a violência.
Imagens de câmeras de segurança exibidas no plenário reforçaram a brutalidade do crime. Os vídeos mostram por exemplo o momento em que Brendon faz um gesto de “hang loose” enquanto Moïse estava caído e amarrado. De acordo com a acusação, foram contabilizados ao menos 37 golpes.
O Ministério Público também destacou que, durante as agressões, o quiosque continuou funcionando normalmente com venda de bebidas.
Julgamento durou nove horas
O julgamento começou por volta das 11h30 e se estendeu por cerca de nove horas. Durante os debates, iniciados na parte da tarde, o Ministério Público apresentou áudios enviados pelo réu após o crime, além de vídeos que, segundo a acusação, comprovam sua participação direta na execução.

Testemunhas ouvidas ao longo do dia apresentaram suas versões sobre o ocorrido. A responsável por um quiosque vizinho afirmou inicialmente ter ouvido gritos durante as agressões, e depois disse ter escutado relatos de que Moïse estaria descontrolado.
Já o dono do quiosque onde ocorreram as agressões negou que tivesse dívidas com a vítima, embora tenha admitido que ela parecia alterada no dia do crime. O gerente do estabelecimento relatou que Moïse foi agredido e amarrado, e justificou não ter pedido ajuda ao afirmar que estava sem telefone no momento.
Um vigilante que trabalhava na região disse ter pedido para que as agressões parassem e afirmou que a intenção do grupo seria conter Moïse apenas até acionar a polícia.
Defesa nega intenção de matar e fala em contenção
Durante a sessão a defesa tentou desclassificar o crime de homicídio triplamente qualificado para lesão corporal seguida de morte, argumentando que o réu não teve intenção de matar. Segundo os advogados, Brendon só agiu para conter uma confusão e não utilizou técnicas de jiu-jítsu com o objetivo de ferir a vítima.
Durante o interrogatório, o próprio réu confirmou que amarrou Moïse, mas negou a intenção de matar, afirmando que tentou prestar socorro ao perceber que a vítima havia desmaiado.
A promotoria, no entanto, sustentou que a tentativa de socorro foi simulada e ocorreu apenas após a aproximação de testemunhas.
Outros envolvidos já haviam sido condenados
Brendon foi o terceiro e último executor direto julgado pelo crime. Em março de 2025, a Justiça já havia condenado Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca a 23 anos e sete meses de prisão, e Fábio Pirineus da Silva a 19 anos e seis meses.
