
O coração de grupos radicais que produzem e disseminam discurso de ódio na internet foram alvo de operação robusta do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) nesta quinta-feira (16).
Até o momento, 5.500 pessoas estão envolvidas nessa rede. Segundo dados do MJSP, foi realizada a moderação de 180 contas em plataformas como TikTok, Instagram, Facebook, Telegram e Discord.
Batizada de Operação Bulwark, a ofensiva mobilizou polícias civis de 18 estados.
O objetivo é claro: desmantelar grupos que por meio das redes sociais e aplicativos de conversas privadas, promovem não somente discursos de ódio disfarçados de opiniões como se referir a questões de raça e orientação sexual, por exemplo, mas também, o recrutamento para ações radicais.
A operação cumpriu ordens judiciais em endereços físicos e sítios digitais, como perfis nas redes sociais, aplicativos de mensagens e até de servidores – 19 no total nos seguintes estados:
- Centro-Oeste: Goiás (GO) e Mato Grosso (MT);
- Sul: Parana (PR), Rio Grande do Sul (RS) e Santa Catarina (SC);
- Norte: Acre (AC), Amazonas (AM) e Pará (PA);
- Sudeste: Minas Gerais (MG), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP);
- Nordeste: Alagoas (AL) Bahia (BA), Ceará (CE), Maranhão (MA), Pernambuco (PE), Piauí (Pl) e Rio Grande do Norte (RN);

O impacto real
O foco é em “cortar o mal pela raiz”, impedindo que essas declarações e “opiniões” sejam combustível para planos concretos ocasionando tragédias.
Segundo o MJSP, que encabeça a Operação Bulwark, a partir desse combate de extremismo online, a justiça vai em cima também de crimes de exploração sexual contra crianças e adolescentes.
Os números preliminares da ofensiva são: 26 mandados de busca e apreensão cumpridos; 2 prisões temporárias e 2 internações de menores de idade; 1 flagrante; 20 medidas cautelares. Segundo o Ministério da Justiça, essa última foi por motivos diversos a fim de frear a ação criminosa.
Inteligência técnica e prevenção
O nome da operação não é a toa, “Bulwark” significa “linha de defesa” o que traduz a ação estratégica prévia da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).
O Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) desempenhou o trabalho técnico da ação, fazendo o monitoramento dos ambientes de risco e a partir disso, identificou padrões de atuação nas redes que indicavam um perigo imediato.
Segundo Chico Lucas, a ação integrada com as polícias civis dos estados permitiu a ramificação, abrangência e compartilhamento de informações para a freada das ações em estados alvos. Ele reforçou ainda que a proteção dos públicos vulneráveis é o pilar central do Sistema Único de Segurança Pública (Susp).
As investigações vão seguir com a análise dos equipamentos e bens apreendidos. A expectativa é que as apreensões no geral auxiliem na identificação de mais autores, núcleos e organizações que atuam na internet por meio de redes sociais e aplicativos privados de mensagens para disseminação de conteúdo ilegal.
