Amorim evita falar de ligação no telefone de Joesley Batista e diz que encontro com Trump aconteceu em função de Lula


Telefonema em que Trump disse ‘i love you’ a Lula aconteceu pelo celular de Joesley Batista
O assessor-chefe para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Celso Amorim, minimizou a intermediação de Joesley Batista na ligação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“O encontro aconteceu em função do presidente Lula. Não falo sobre supostos intermediários. Trump deu atenção incomum ao presidente e o tratou como um estadista. Foi muito positivo. Trump quis dar um símbolo de respeito ao presidente Lula. Não houve questionamentos inconvenientes. A reunião foi plenamente satisfatória”, disse.
Integrantes do governo demonstraram incômodo com o vazamento de informações sobre o telefonema entre Lula e Trump.
De acordo com fontes, Joesley Batista, um dos donos da J&F, estava reunido com Lula no Palácio da Alvorada, na véspera do feriado de 1º de maio.
Durante a conversa, Lula teria comentado a dificuldade de conseguir um encontro presencial com Donald Trump. Nesse momento, segundo as fontes, Joesley sugeriu fazer a ligação imediatamente. Lula concordou.
O telefonema durou cerca de 40 minutos, segundo integrantes do governo brasileiro. Ainda de acordo com fontes que acompanharam o relato da conversa, Trump encerrou o telefonema de forma descontraída, dizendo “I love you” — “eu te amo”, em inglês — a Lula.
Amorim citou o trabalho da diplomacia brasileira nos últimos meses, além do prestígio internacional do presidente brasileiro.
Joesley Batista afirmou nesta segunda-feira (11) que não vai comentar a ligação para destravar a visita de Lula ao país.
“Não posso responder sobre isso”, declarou o empresário ao ser questionado por jornalistas durante viagem a Nova York.
Joesley Batista participa do toque do sino de abertura do banco digital brasileiro PicPay, na bolsa Nasdaq, durante o IPO da empresa, no site do mercado Nasdaq na Times Square, na cidade de Nova York, EUA, em 29 de janeiro de 2026.
Reuters
A conversa
Na conversa, Lula se colocou à disposição para viajar aos Estados Unidos e realizar um encontro presencial com Trump. O presidente norte-americano respondeu que sua equipe cuidaria dos detalhes para viabilizar a reunião. Segundo interlocutores, o aval para a data chegou já no dia seguinte.
O encontro entre Lula e Trump aconteceu na quinta-feira (7) na Casa Branca, em Washington.
Segundo relatos feitos a auxiliares do governo, na ligação Trump adotou um tom amistoso ao longo da conversa. O presidente norte-americano teria dito que admira a trajetória política de Lula e comentou que pesquisou sobre a vida do presidente brasileiro.
Lula, por sua vez, afirmou que gostaria de tratar de interesses comuns entre Brasil e Estados Unidos, além de discutir conflitos internacionais e o papel da Organização das Nações Unidas (ONU).
Trump respondeu que tinha interesse em ouvir as opiniões do presidente brasileiro sobre esses temas.
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